A crescente onda de roubos de cobre está causando sérios impactos nas telecomunicações e nas ferrovias ao redor do mundo. Este fenômeno, impulsionado pela alta dos preços do metal, que subiu mais de 40% no último ano, tem afetado a infraestrutura crítica em diversas regiões, desde a América do Sul até a Europa e a Ásia. Criminosos estão se organizando em grupos cada vez mais sofisticados, atacando cabos de energia, telecomunicações e até mesmo instalações de energia renovável, como parques solares e eólicos.
Recentemente, a polícia chilena desmantelou uma operação que resultou no maior caso de roubo de cobre da história do país, com criminosos desviando quase US$ 1 bilhão em cobre ao longo de cinco anos. O metal, que é essencial para a construção de redes de internet e energia, está se tornando alvo de organizações criminosas que buscam lucrar com a alta demanda e os preços elevados. Santiago Bravo, membro da força-tarefa de cobre da polícia chilena, destacou que esses grupos estão se tornando mais profissionais, com estruturas hierárquicas e funções definidas.
A situação é alarmante. No Canadá, por exemplo, a empresa de telecomunicações Bell reportou um aumento de 700% nos roubos de cobre desde 2022, resultando em 918 incidentes apenas neste ano. David Joice, diretor de operações da Bell, afirmou que os custos dos roubos chegam a milhões de dólares anuais, afetando diretamente a qualidade do serviço prestado aos clientes.
Além disso, a maior fornecedora de eletricidade do Chile, a CGE, registrou um recorde de 1.426 incidentes de roubo em 2025, o que dobrou em relação ao ano anterior. Esses roubos não apenas causam prejuízos financeiros, mas também afetam a vida de milhares de pessoas, resultando em cortes de energia e serviços essenciais.
Os ladrões estão se expandindo para áreas como parques solares e eólicos, que frequentemente têm segurança limitada. Antonia Grey, da British Metals Recycling Association, alertou que esses locais se tornaram alvos fáceis, permitindo que os criminosos roubem grandes quantidades de cabos de uma só vez. No Brasil, o cenário se agravou com a ligação dos roubos a facções do narcotráfico, que agora operam de maneira mais organizada e com conhecimento técnico, aumentando ainda mais os riscos para a infraestrutura nacional.
A geopolítica dos minerais críticos também está em jogo, com ladrões começando a mirar terras raras, essenciais para a tecnologia moderna, que estão sendo roubadas de instalações na China. A combinação da alta demanda por cobre e a crescente sofisticação das operações criminosas representa um desafio significativo para a segurança das redes de telecomunicações e energia em todo o mundo. O problema não é apenas econômico; é uma questão de segurança pública que requer atenção urgente das autoridades.



