Post: Reviravolta de JHC em Alagoas desafia Arthur Lira na corrida ao Senado

JHC pode mudar a corrida ao Senado em Alagoas, desafiando Arthur Lira, com novas alianças e estratégias eleitorais.
Reviravolta de JHC em Alagoas desafia Arthur Lira na corrida ao Senado

A corrida eleitoral em Alagoas ganhou um novo contorno com a movimentação do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, conhecido como JHC, que pode alterar o cenário político na reta final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante a convenção do PSDB, JHC foi lançado como pré-candidato ao governo do estado, mas sua recente conversa com o presidente Lula sinaliza uma possível candidatura ao Senado, colocando em xeque os planos do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, que já conta com o apoio de Flávio Bolsonaro para sua própria candidatura ao Senado.

A decisão sobre a candidatura de JHC ainda está em aberto, conforme confirmado pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. O prazo para registro das candidaturas se encerra neste sábado (15), e a expectativa é alta entre os eleitores e os partidos envolvidos. No início do mês, JHC não compareceu à convenção que o lançou como candidato ao governo, o que levantou dúvidas sobre sua disposição de entrar em uma disputa acirrada contra o senador Renan Filho, do MDB, que já tem o apoio do PT e de outras forças políticas.

A possibilidade de uma disputa intensa com o clã Calheiros pode levar JHC a optar pela candidatura ao Senado, onde ele também poderia apoiar sua esposa, Marina Candia, que é uma das principais apostas do PSDB para a Câmara dos Deputados. O partido, enfrentando dificuldades em todo o país, busca alianças estratégicas para garantir a eleição de deputados federais e cumprir a cláusula de barreira.

Caso JHC decida concorrer ao governo, Marina deve ser a candidata ao Senado, e a estratégia de JHC seria utilizar seu recall eleitoral para polarizar a disputa com Renan Filho. Em 2024, ele foi reeleito em Maceió com mais de 83% dos votos, o que lhe confere uma base sólida de apoio.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, JHC e Renan Filho estão tecnicamente empatados na corrida pelo governo, com JHC registrando 45,9% das intenções de voto, enquanto Renan Filho aparece com 41%. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, o que torna a disputa ainda mais acirrada.

A mudança de JHC para o Senado também pode selar um rompimento com Arthur Lira. Aliado político de Lira, JHC deixou o PL no início do ano após desavenças com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido, que dissolveu o diretório alagoano devido a divergências nas articulações políticas para as eleições de 2026. A relação entre JHC e Lira parecia estar se reestabelecendo com a possibilidade de uma aliança que garantiria um palanque forte para Flávio Bolsonaro em Alagoas, especialmente após a desistência do deputado Alfredo Gaspar, que deixou a disputa pelo Senado para ser vice na chapa presidencial de Jair Bolsonaro. Recentemente, pesquisas mostraram um empate técnico entre Gaspar, Lira e Renan Calheiros na corrida ao Senado, com Gaspar registrando 40,4%, Lira com 39,8% e Calheiros com 36,4%. Cada estado brasileiro elegerá dois senadores este ano, o que torna a disputa ainda mais relevante para os candidatos.

Com a saída de Gaspar, Flávio Bolsonaro anunciou apoio a Marina Candia e a Arthur Lira como candidatos do grupo político ao Senado. Lira, que possui forte influência no interior de Alagoas, conta com o apoio de JHC para conquistar votos em Maceió, o maior colégio eleitoral do estado. JHC, que é filho do presidente do Democracia Cristã, João Caldas, e da senadora Eudócia Caldas, que havia planejado se candidatar à reeleição, mas desistiu por falta de espaço, tem um histórico político significativo e uma base eleitoral consolidada. Ele foi eleito como primeiro suplente e assumiu a cadeira no Senado após a reeleição de JHC à prefeitura de Maceió em 2024, quando Rodrigo Cunha ocupou a vaga de vice. Com a renúncia de JHC, Cunha assumiu a prefeitura em abril deste ano, aumentando ainda mais a complexidade do cenário político em Alagoas.

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