Nesta quinta-feira (1º), às 20h, a Folha de S.Paulo promove a sessão de estreia do documentário “Naza”, dirigido pelos jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, na abertura do Cine Tutu, localizado na rua Girassol, 555, na Vila Madalena, em São Paulo. O filme, que recebeu o prêmio especial do júri no Festival de Cinema de Veneza, traz depoimentos impactantes de integrantes da elite da inteligência militar de Israel, revelando a complexidade e os dilemas morais enfrentados durante os conflitos na Faixa de Gaza.
“Naza” expõe como os militares descrevem ataques realizados pelo Exército israelense, mesmo cientes de que civis palestinos podem ser vítimas. Essas mortes, muitas vezes tratadas como danos colaterais, são referidas na terminologia militar como “nazas”, o que dá nome ao documentário. A produção, que abrange o período de 2023 a 2025, inclui material coletado para o jornal britânico The Guardian.
Após a exibição, haverá um debate com a participação do cientista social Daniel Douek, colaborador do Instituto Brasil-Israel, e da professora Arlene Clemesha, especialista em história árabe da USP e diretora do Centro de Estudos Palestinos. A mediação do bate-papo ficará a cargo da repórter especial Patrícia Campos Mello.
Os ingressos para a sessão são gratuitos e podem ser retirados na bilheteira do Cine Tutu com uma hora de antecedência. O documentário apresenta entrevistas com 24 militares, realizadas em telhados de edifícios de Tel Aviv, onde suas vozes e imagens foram modificadas para garantir o anonimato. Um dos entrevistados revela que até 25 “nazas” podem ser atingidos para cada homem suspeito de ser membro do Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007. Outro militar menciona ter recebido ordens para bombardear edifícios que poderiam conter até 500 civis.
A obra gerou polêmica em Israel, provocando reações do ministro da Cultura, Miki Zohar, que ameaçou retirar a cidadania dos realizadores. Em suas declarações, ele acusou os cineastas de tentarem “prejudicar a pátria” para ganhar reconhecimento entre antissemitas ao redor do mundo. O documentário também retrata a dualidade emocional dos entrevistados, com alguns expressando prazer em suas missões, enquanto outros revelam remorso e arrependimento.
Além disso, o filme investiga a técnica de uma guerra que é conduzida à distância, reduzida a cálculos frios e botões. Desde outubro de 2023, os bombardeios israelenses resultaram na morte de mais de 73 mil palestinos na Faixa de Gaza, de acordo com dados do Ministério da Saúde local, que é controlado pelo Hamas e cujas informações são consideradas confiáveis pela ONU. A ofensiva teve início após um ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que causou a morte de 1.221 israelenses, segundo contagem da AFP com base em dados oficiais do governo israelense.


