Post: Retirada das tropas dos EUA do Iraque marca fim de quase duas décadas de conflito

Retirada das tropas dos EUA do Iraque encerra quase duas décadas de conflito, fortalecendo a influência do Irã no país.
Retirada das tropas dos EUA do Iraque marca fim de quase duas décadas de conflito

As forças armadas dos Estados Unidos estão programadas para deixar suas últimas bases no Iraque até esta quarta-feira (30), encerrando uma presença militar que se estendeu por quase duas décadas. Este movimento é celebrado como uma vitória pelo Irã e seus aliados, que agora exercem uma influência significativa no país, onde cerca de 4.500 americanos perderam a vida durante o conflito.

A retirada, acordada em 2024 durante o governo do presidente Joe Biden, foi executada pela administração de Donald Trump, mesmo em meio a uma guerra contra o Irã. Especialistas em segurança iraquianos alertam que essa saída pode abrir espaço para que Teerã e seus aliados aumentem sua atuação no país, além de permitir o ressurgimento de grupos como o Estado Islâmico.

“O Irã tende a se beneficiar estrategicamente da saída da coalizão, pois elimina uma presença militar que, por anos, atuou como um contrapeso à influência iraniana”, afirma Jasim al-Bahadli, analista de segurança iraquiano especializado em grupos armados xiitas. Ele prevê que as milícias não apenas celebrarão a retirada como uma vitória, mas também tentarão usar esse impulso para aumentar sua influência nas decisões políticas e de segurança do Iraque.

Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica iraquiana, descreveu a retirada americana como “uma vitória histórica para os grupos da resistência islâmica e para os iraquianos honrados”. Ele declarou que, em 30 de setembro, o país celebrará o fim de uma “página sombria” da sua história e o fracasso da ocupação em impor sua vontade.

Embora a saída das tropas americanas conte com amplo apoio entre os iraquianos, há preocupações sobre a força dos grupos apoiados pelo Irã. Abdulrahman al-Zobaie, líder tribal sunita em Fallujah, expressou receios de que a retirada seja prematura. “Acreditamos que o Iraque ainda não está plenamente preparado para assumir a responsabilidade pela segurança neste momento”, disse ele, ressaltando que a saída da coalizão pode criar um vácuo perigoso.

As forças americanas invadiram o Iraque em 2003 para derrubar o regime de Saddam Hussein, ocupando o país e instalando um governo liderado por xiitas. Após uma longa campanha de contrainsurgência, as tropas se retiraram em 2011, mas retornaram em 2014 para ajudar na luta contra o Estado Islâmico, que havia tomado grandes áreas do país. A retirada atual representa um novo capítulo na complexa relação entre os EUA e o Iraque, e suas repercussões ainda estão por vir.

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