A indústria automobilística chinesa, apesar de saturada, busca se reorganizar em um cenário de excessiva capacidade produtiva e queda nas vendas internas. Recentemente, duas das principais montadoras de veículos elétricos do país, Nio e Geely, anunciaram a fusão de suas subsidiárias de recarga e troca de baterias, um movimento que sinaliza a necessidade de consolidação no setor. Essa transação ocorre em um contexto onde as vendas de automóveis na China caíram 20,8% nos primeiros oito meses de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A Nio, que já vendeu 1,3 milhão de veículos elétricos e híbridos plug-in no primeiro semestre deste ano, também adquirirá uma participação de 10% em uma outra empresa da Geely, enquanto esta última pagará cerca de US$ 95 milhões por uma participação de 30% na nova entidade que resultará da fusão. O objetivo é criar um sistema mais eficiente de troca de baterias, visando ter 10 mil estações operacionais até 2030.
O excesso de capacidade é um problema significativo para a indústria, com fábricas suficientes para atender não apenas a demanda interna, mas também a produção total dos Estados Unidos e da Europa. A diminuição do consumo das famílias, exacerbada pela queda nos preços dos imóveis, tem contribuído para a retração do mercado. David Zhang, professor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huanghe, afirma que “há simplesmente montadoras demais na China” e que fusões e reestruturações se tornarão uma tendência inevitável.
Além disso, as montadoras chinesas tentam compensar a queda nas vendas internas aumentando as exportações. As exportações de veículos chineses devem alcançar pelo menos 10 milhões este ano, um crescimento significativo em relação a 2020, quando foram exportados apenas 1 milhão de carros. Contudo, a União Europeia está considerando restrições às importações de veículos chineses, preocupada com o impacto no setor automotivo europeu, o que pode complicar ainda mais a situação das montadoras na China.
Apesar do crescimento nas exportações, a maioria das fábricas opera com apenas 50% de sua capacidade, e os preços dos veículos foram reduzidos a níveis insustentáveis, resultando em perdas para os fabricantes e atrasos nos pagamentos a fornecedores. O acordo entre Nio e Geely representa um passo importante em direção à padronização das baterias, um aspecto crucial para a viabilidade da troca de baterias como uma alternativa à recarga convencional, que ainda é a preferida entre os consumidores.
A troca de baterias, embora rápida, com um tempo de troca de três a quatro minutos, ainda enfrenta resistência em comparação com os carregadores tradicionais. A BYD, líder de vendas na China, registrou uma queda de 34% nas vendas domésticas até agora neste ano, enquanto a Geely também viu uma redução significativa em suas vendas.
A pressão sobre a indústria automobilística chinesa é evidente, e a necessidade de adaptação e inovação se torna cada vez mais urgente. O cenário atual exige que as montadoras não apenas reestruturem suas operações, mas também busquem novas formas de se manter competitivas em um mercado em rápida transformação, onde a colaboração entre empresas pode ser a chave para a sobrevivência.



