Equipes de resgate estão em busca de mais de 1.300 pessoas desaparecidas após enchentes devastadoras que atingiram a região do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete. Até o momento, o número de mortos subiu para 273, em uma tragédia que deixou povoados inteiros em ruínas. Um vídeo divulgado por câmeras de vigilância do lado chinês da fronteira mostra o momento em que uma violenta avalanche de lama e detritos engoliu um edifício de vários andares, enquanto dezenas de pessoas tentavam escapar. De acordo com balanços preliminares, 177 mortes foram confirmadas no lado nepalês e três no Tibete. A torrente, que se assemelha a um tsunami, foi provocada pelo colapso de uma geleira e foi registrada como um “evento sísmico” de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). No Nepal, a enxurrada devastou o vale do rio Trishuli, localizado no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, a leste da capital. Vinte e quatro horas após o desastre, as autoridades ainda não tinham informações sobre 823 pessoas, incluindo 517 turistas estrangeiros. Entre os desaparecidos, estão cidadãos de várias nacionalidades, incluindo 178 da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá. A Espanha também relatou que quatro de seus cidadãos ainda não foram localizados. Do lado tibetano, a imprensa estatal informou que o deslizamento de lama no porto de Gyirong resultou em três mortes e 558 desaparecidos, entre os quais 260 estrangeiros, embora suas nacionalidades não tenham sido divulgadas. Raju Bhadel, um morador de 56 anos, relatou que recebeu uma ligação angustiante de seu cunhado, que disse que a casa da família foi completamente arrastada. Três membros da família foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido. As equipes de resgate enfrentam dificuldades para avançar pela lama e pelos destroços em busca de sobreviventes, após a avalanche ter soterrado os andares inferiores de vários edifícios. Subash Khatani, que também está à procura de um familiar, expressou sua angústia ao tentar encontrar seu irmão desaparecido em Rasuwa. David Fisher, diretor da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal, destacou a gravidade da situação, afirmando que “povoados inteiros e áreas comerciais foram devastados”. Especialistas alertam que um bloqueio persistente em um rio pode causar novas inundações, aumentando ainda mais o risco para a população local.



