O Estado de São Paulo lançou oficialmente a Rede Estadual de Trilhas, uma iniciativa que visa conectar e organizar mais de mil percursos em todo o território paulista. A proposta, que busca estabelecer critérios comuns de gestão, sinalização e segurança, foi criada por meio de uma resolução conjunta entre as secretarias de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, e Turismo e Viagens, em colaboração com a Fundação Florestal. O objetivo é promover atividades como caminhada e cicloturismo, além de ampliar as oportunidades de geração de emprego e renda nas regiões atendidas.
O projeto foi concebido para se desenvolver em sinergia com a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, alinhando São Paulo aos melhores padrões de manejo sustentável. A proposta não se limita a longas jornadas; as trilhas locais foram projetadas para serem percorridas em algumas horas ou em um único dia. As trilhas regionais, por sua vez, são mais complexas e podem ser completadas em até 28 dias, enquanto as de longo curso abrangem distâncias superiores a mil quilômetros.
Daniel Raimondo Silva, coordenador de uso público da Fundação Florestal, destacou a importância da sinalização padronizada pela Rede Nacional, que facilitará a identificação das trilhas por meio de uma comunicação visual única. “Se analisarmos exemplos de outros países, como os Estados Unidos, percebemos que eles têm isso muito bem definido, e essa foi uma inspiração para a rede nacional”, afirmou.
A atuação da fundação se concentra especialmente nas áreas onde as trilhas cruzam unidades de conservação. Um exemplo é a Transmantiqueira, que atravessa mais de dez unidades de conservação, começando no Parque Estadual da Cantareira e passando pelo Monumento Natural Pedra do Baú, até chegar ao Monumento Natural Mantiqueira Paulista, na saída do estado.
A criação da rede paulista foi embasada em uma pesquisa de campo realizada em 104 municípios, onde foram identificadas 286 trilhas. No total, a base cadastral estadual conta com 1.022 trilhas distribuídas em 228 municípios. Os principais pontos de partida incluem o litoral norte, que dá acesso à mata atlântica costeira, e Ubatuba, reconhecida como a capital das trilhas costeiras, com mais de 100 praias. O Vale do Ribeira, com suas cavernas, e a serra da Mantiqueira, com picos elevados, também são destaques, assim como a região metropolitana de São Paulo, que oferece trilhas urbanas e periurbanas, permitindo que os cidadãos desfrutem da natureza sem grandes deslocamentos.
A catalogação das trilhas revelou que a região administrativa de Ribeirão Preto, no nordeste do estado, possui a maior concentração de percursos, com 111 trilhas, correspondendo a 8,5% do total. O Vale do Paraíba segue em segundo lugar, com 89 trilhas, enquanto a região do litoral ocupa a terceira posição, com 76 trilhas, atraindo visitantes com sua beleza natural e diversidade de paisagens.



