Post: Crescimento de recuperações judiciais atinge 66% em meio a juros altos e crédito restrito

Recuperações judiciais aumentam 66% no Brasil devido a juros altos e crédito restrito, com destaque para agronegócio e varejo.
Crescimento de recuperações judiciais atinge 66% em meio a juros altos e crédito restrito

Em um cenário marcado por juros elevados e restrições no crédito, as empresas brasileiras têm buscado cada vez mais as recuperações judiciais e extrajudiciais como alternativas para suspender a cobrança de dívidas e renegociar suas obrigações financeiras. Dados da consultoria RGF, especializada em reestruturação empresarial, revelam que o número de empresas em recuperação judicial aumentou 65,8% entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período deste ano, passando de 3.823 para 6.341 casos. O agronegócio, o setor de transporte e logística, além do varejo, estão entre os principais responsáveis por esse crescimento.

As recuperações extrajudiciais, que são utilizadas por grandes companhias para negociar com credores antes da aprovação judicial, também mostraram um aumento significativo, saltando de 43 para 82 casos no ano passado, o que representa uma alta de 90%. Neste ano, até o dia 18 de agosto, foram registrados 44 casos, conforme dados do Obre (Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial).

Claudio Damasceno, especialista em reestruturação e coordenador do monitor da RGF, destaca que a situação econômica adversa tem impactado severamente as empresas que não estavam preparadas para enfrentar a turbulência. “O cenário atual é de um volume de empresas fragilizadas, que enfrentam consequências severas devido à falta de planejamento”, afirma.

Desde o início de 2022, a taxa básica de juros (Selic) permanece em patamares elevados, atualmente em 14% ao ano, uma drástica mudança em relação à mínima histórica de 2% registrada entre o final de 2020 e o início de 2021. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, explica que a manutenção dos juros em níveis altos por um período prolongado tem encarecido o custo do capital, dificultando a rolagem das dívidas. As taxas de juros para capital de giro, que estavam abaixo de 11% ao ano no final de 2020, superaram os 26% no final do ano passado e atualmente estão em 23%, segundo dados do Banco Central.

A diretora do Obre, Juliana Biolchi, ressalta que a situação econômica já é desafiadora há pelo menos dois anos, acumulando dificuldades para as empresas. Além disso, o total emprestado tem diminuído, com uma queda de 0,9% nos primeiros seis meses deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, conforme dados do BC. A taxa de inadimplência das pessoas jurídicas está em 4%, bem acima do nível de 1,5% registrado em dezembro de 2020.

A cautela das instituições financeiras em conceder crédito tem aumentado, refletindo o maior risco percebido no mercado. Isso se traduz em um número crescente de recuperações judiciais, especialmente no varejo, onde grandes empresas, como as Casas Bahia, têm buscado esse mecanismo para reestruturar suas operações e garantir a continuidade dos negócios. A combinação de juros altos e crédito restrito continua a pressionar as empresas, que buscam alternativas para se manterem ativas em um ambiente econômico desafiador.

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