Os usuários da Netflix estão assistindo ao serviço de streaming com menos frequência, um sinal preocupante para a maior plataforma de entretenimento do mundo. Fontes próximas à situação indicam que a diminuição no engajamento dos assinantes está afetando a percepção de valor do serviço, levando a um aumento na preocupação entre os investidores. As ações da empresa caíram cerca de 29% neste ano, refletindo a inquietação do mercado com o crescimento da companhia.
De acordo com informações, os clientes não estão abrindo o aplicativo com a mesma regularidade de antes. A Netflix utiliza uma métrica chamada QPD (dias de reprodução qualificados) para medir a frequência de uso do aplicativo. Embora o tempo total de visualização tenha apresentado um leve aumento no primeiro semestre do ano, isso se deve principalmente ao crescimento no número de assinantes, e não ao tempo individual que cada usuário dedica ao serviço.
A queda nos indicadores de uso começou após a empresa restringir o compartilhamento de senhas em 2022. Inicialmente, a direção acreditava que a situação seria temporária, mas a tendência se manteve, levantando questões sobre a capacidade da Netflix de manter seus assinantes engajados. A companhia está investindo em novas categorias, como podcasts e esportes ao vivo, para atrair e reter clientes.
Durante uma teleconferência, o co-CEO Ted Sarandos mencionou que a audiência nos Estados Unidos não está crescendo na velocidade desejada. No entanto, ele e o co-CEO Greg Peters destacaram que a empresa ainda apresenta um modelo de negócios saudável fora dos EUA. Apesar da queda no uso, a taxa de cancelamento permanece estável em 2%, a melhor do setor, segundo dados da Antenna.
A Netflix também enfrenta a concorrência de serviços gratuitos, como o YouTube, e sua participação no consumo de TV nos EUA estagnou. A empresa registrou seu terceiro trimestre consecutivo de desaceleração no crescimento da receita, prevendo uma nova perda de ritmo no trimestre atual. As vendas deste ano devem ficar em torno de US$ 300 milhões abaixo das projeções anteriores, devido à implementação mais lenta de novos produtos.
Além disso, a Netflix não lançou tantos novos sucessos quanto em anos anteriores, o que dificultou a atração de espectadores para novas temporadas de suas produções. A Apptopia, que monitora o uso de aplicativos móveis, relatou que a parcela de assinantes que não abriram o aplicativo aumentou 16,6% no terceiro trimestre em comparação ao ano anterior.
Para lidar com a situação, a Netflix promoveu mudanças em sua liderança, demitindo executivos-chave e reduzindo seu quadro de funcionários em 6%. Peter Rice, ex-executivo da Walt Disney Co. e da 21st Century Fox, agora liderará a estratégia de conteúdo da empresa. Apesar dos desafios, Sarandos e Peters tentaram acalmar os investidores, afirmando que a Netflix ainda possui um negócio robusto e lucrativo, embora reconheçam que há mais trabalho a ser feito para impulsionar o crescimento.



