Uma das cenas mais marcantes da Copa do Mundo deste ano ocorreu após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra, quando jogadores argentinos exibiram uma faixa reivindicando a soberania das Ilhas Malvinas. O ato, que aconteceu em Atlanta, reverberou fortemente nas esferas políticas de ambos os países, gerando um debate acalorado um dia após o jogo, realizado na quarta-feira (15). O tema das Malvinas é sensível e remete ao conflito de 1982, que resultou na morte de 649 argentinos e 255 britânicos, culminando em uma derrota humilhante para a Argentina, que não conseguiu recuperar o território no Atlântico. Desde então, qualquer menção à soberania sobre as ilhas tende a abalar a já delicada relação diplomática entre os dois países. O protesto, realizado em um dos maiores palcos do futebol mundial, trouxe à tona essa questão histórica. A porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, comentou sobre o incidente, afirmando que “pode ser que a Copa do Mundo não seja nossa, mas as Ilhas Falkland certamente são”. Ela reiterou a posição britânica de que a autodeterminação pertence aos habitantes das ilhas, referindo-se ao referendo de 2013, onde 99,8% da população votou para permanecer como um território ultramarino do Reino Unido. Quando questionada sobre a postura da FIFA em relação à manifestação, a porta-voz concordou com o ministro britânico da Ciência, Peter Kyle, que pediu uma investigação sobre o ato. Em relação ao próximo jogo da final, no qual a Argentina enfrentará a Espanha, a porta-voz desejou boa sorte a ambas as equipes, mas enfatizou a posição britânica sobre as Malvinas. Reações adversas ao ato argentino também surgiram. Nile Gardiner, ex-assessor da primeira-ministra Margaret Thatcher, classificou a demonstração como “comportamento de terceiro mundo” e sugeriu que os jogadores argentinos que participaram do ato deveriam ter seus vistos revogados. O líder dos Liberal Democratas, Ed Davey, foi ainda mais incisivo, afirmando que os jogadores que exibiram a bandeira deveriam ser excluídos da final. A Ifab, que regula as regras do futebol, afirmou que uniformes não devem conter slogans ou declarações políticas, o que levanta questões sobre a conformidade do ato com as normas esportivas. Assim, a controvérsia em torno do protesto argentino se desdobra não apenas no campo político, mas também nas regras do futebol, mostrando como o esporte pode ser um palco para reivindicações históricas e identidades nacionais.



