A própolis azul, produzida pela abelha mandaçaia, vem ganhando destaque entre consumidores e pesquisadores, atraindo olhares do mundo inteiro. Este produto, que se diferencia das demais variedades pela sua composição e propriedades, foi o primeiro do tipo a receber registro e aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Brasil, originando-se do litoral de Santa Catarina. As pesquisas sobre a própolis azul ainda estão em andamento, mas já se sabe que ela é rica em compostos bioativos, com potencial para atividades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas.
As abelhas sem ferrão, como a mandaçaia (Melipona quadrifasciata), produzem a própolis a partir de resinas vegetais coletadas na natureza. A nutricionista clínica funcional e meliponicultora, Sabrina Sena, explica que a composição da própolis varia conforme a vegetação disponível em cada região, resultando em diferentes tipos, como a verde, vermelha e marrom. “As abelhas transformam as resinas vegetais para proteger a colônia, e isso impacta diretamente na composição da própolis”, afirma.
Além da própolis azul, o mercado brasileiro oferece outras variedades. A própolis verde, por exemplo, é produzida pela abelha Apis mellifera a partir do alecrim-do-campo, enquanto a vermelha utiliza a Dalbergia ecastophyllum, encontrada em manguezais. A própolis marrom, por sua vez, é obtida de diversas espécies vegetais, sem um composto químico predominante.
Estudos realizados pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) em colaboração com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelaram que a própolis azul possui alto potencial para a indústria farmacêutica. O mestrando Vitor Luis Fagundes, que lidera a pesquisa, constatou que a própolis azul apresenta atividade antibacteriana superior à das variedades verde e vermelha, já utilizadas na produção de medicamentos. Renato Rau, coordenador da pesquisa, destaca que a própolis azul pode contribuir com ações antimicrobianas, anti-inflamatórias, antivirais e até antitumorais, além de fortalecer o sistema imunológico.
A equipe de pesquisa está agora focada em identificar e caracterizar as moléculas responsáveis por essas propriedades, com o objetivo de estabelecer a assinatura química da própolis azul e iniciar testes farmacológicos. Essa etapa é crucial para o desenvolvimento de novos medicamentos que possam obter registro nos órgãos reguladores, ampliando o potencial da própolis azul no mercado de saúde e bem-estar.
Com o crescente interesse por alimentos funcionais e produtos naturais, a própolis azul se destaca não apenas por suas propriedades benéficas, mas também pela sua origem única nas colmeias brasileiras. À medida que mais pesquisas são realizadas, espera-se que esse “ouro azul” continue a conquistar o mundo, tanto pela sua qualidade quanto pela sua relevância no campo da saúde.



