A Prefeitura de São Paulo está investigando um grave vazamento de dados que expôs imagens de mais de 58 mil câmeras do Smart Sampa, um sistema de monitoramento e reconhecimento facial da cidade. Essas informações, que incluíam imagens de locais sensíveis como ruas, escolas, creches e hospitais, ficaram acessíveis na internet por aproximadamente 11 meses. A administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP) confirmou a ocorrência do vazamento, mas negou que tenha havido uma falha de segurança na plataforma, atribuindo o incidente à ação de um servidor autorizado que teve acesso ao sistema.
De acordo com a prefeitura, o vazamento foi um ato ilegal cometido por um dos mais de 7.500 agentes de segurança que operam o sistema. O funcionário responsável já foi identificado e afastado, e sua conduta está sob investigação pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. A administração municipal também informou que o repositório de dados que foi disponibilizado ilegalmente na internet foi retirado do ar e que medidas adicionais de segurança foram implementadas.
Entre as novas providências estão a adoção de senhas exclusivas, autenticação em dois fatores e a exigência de códigos enviados por SMS para a criação de novas senhas. A prefeitura ressaltou que o programa é submetido à fiscalização do Tribunal de Contas do Município (TCM) e que conta com consultoria especializada em governança e privacidade de dados, além de auditorias periódicas e testes de segurança.
O Smart Sampa, lançado em 2024, é uma das principais iniciativas da gestão de Ricardo Nunes na área de segurança pública. O sistema opera 24 horas por dia, reunindo imagens de câmeras públicas e privadas, utilizando inteligência artificial para comparar rostos captados com bases oficiais de procurados pela Justiça e pessoas desaparecidas, além de identificar veículos com restrições.
A operação do sistema custa cerca de R$ 10 milhões por mês, e em junho a prefeitura lançou o aplicativo Smart Sampa Cidadão, que permite aos moradores colaborar na identificação de veículos suspeitos. Recentemente, a administração anunciou a contratação de um helicóptero equipado com tecnologia de monitoramento, com custo estimado de R$ 2 milhões mensais.
Segundo dados da prefeitura, o Smart Sampa já contribuiu para a captura de 3.628 foragidos da Justiça e a localização de 284 pessoas desaparecidas. O sistema também serviu como referência para uma proposta apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a criação do Smart Brasil, que prevê a integração de mais de 1 milhão de câmeras a bancos de dados criminais em parceria com estados e municípios.
Em resposta ao vazamento, a prefeitura destacou que não houve qualquer uso indevido da plataforma e que a segurança do sistema foi reforçada. A administração também enfatizou que o acesso ao sistema não inclui qualquer menção a senhas de acesso, e que as medidas de segurança adotadas visam garantir a integridade dos dados e a proteção da privacidade dos cidadãos. O Smart Sampa é considerado o maior sistema de monitoramento por câmeras da América Latina e encaminha relatórios de transparência semestralmente ao Ministério Público, assegurando a conformidade com as obrigações contratuais e a correção de eventuais vulnerabilidades.




