A primeira ação necessária para iniciar uma conversa é atrair a atenção do interlocutor. Essa premissa, embora verdadeira, é apenas o primeiro passo. Para que a interação prossiga, é fundamental que haja motivação. Essa é a base da reflexão sobre a comunicação política contemporânea, que, na minha visão, tem sido mal interpretada. A economia da atenção, que sempre teve seu peso, ganhou um novo contorno com a ascensão das redes sociais, tornando-se o principal meio de compreender a relação entre comunicação e política. Nas plataformas digitais, o conteúdo se resume a textos curtos e vídeos ainda mais breves, moldando nossos cérebros a receber constantes estímulos para manter a atenção. A vitória do Brexit e a eleição de Donald Trump em 2016 exemplificam como a política, fundamentada na economia da atenção, se tornou um modelo de sucesso. A relevância de uma proposta passou a ser medida não pela sua lógica, mas pela quantidade de cliques, likes e visualizações que consegue gerar.
Esse fenômeno permitiu que até os discursos mais absurdos e os erros mais graves fossem justificados por essas métricas, enquanto o conteúdo substancial ficava em segundo plano. Um candidato pode ser considerado inepto e um presidente pode agir de forma grotesca, desde que saibam como capturar e manter a atenção de milhões.
Contudo, dez anos após essa transformação, será que não existe uma alternativa? Acredito que sim, e que ela sempre esteve à nossa disposição. Primeiramente, é crucial entender que a economia da atenção não deve ser encarada como uma estratégia, mas sim como uma tática. Essas duas abordagens são frequentemente confundidas, mas possuem objetivos distintos. Enquanto a tática é de curto prazo, a estratégia deve ser sustentada e abrangente.
Além disso, o uso excessivo da economia da atenção resultou em um abuso, levando a retornos decrescentes. Os políticos que se apoiam nessa lógica precisam se tornar cada vez mais extremos para atrair a atenção, mas a natureza humana é clara: as pessoas se cansam. O público se aborrece com aqueles que buscam constantemente sua atenção sem oferecer algo significativo em troca.
Ademais, a fragmentação da nossa atenção se intensificou. Hoje, ela é mais curta, menos duradoura e raramente compartilhável em contextos interpessoais que não sejam mediados por aplicativos. Memes podem se tornar memoráveis, mas a maior parte do conteúdo se transforma em ruído de fundo.
Então, isso implica que um político não precisa mais estar em evidência o tempo todo, fazendo palhaçadas ou mantendo o público em um estado constante de irritação? Acredito que é possível adotar uma abordagem diferente. O que os políticos democratas e progressistas realmente necessitam é de um tipo distinto de atenção: uma atenção que seja mais duradoura, construtiva e que traga retorno. Isso se traduz em motivação, que só pode ser alcançada por meio de propostas sólidas e coerentes.
Deixemos que o público se distraia com memes. Eles retornarão, ano após ano, desde que saibamos oferecer razões para isso. A longo prazo, a política da motivação pode superar a economia da atenção.



