Um dia após a publicação da medida provisória que proíbe as apostas no Brasil, Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, conversou com Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, para discutir o impacto da decisão. Segundo fontes ligadas ao futebol, Flávio tranquilizou Bap ao afirmar que, se eleito, buscará uma solução para os clubes e as casas de apostas, embora não tenha se comprometido a restaurar a autorização para a operação das empresas.
A proibição das apostas ocorreu em um momento estratégico, com Flávio Bolsonaro crescendo nas pesquisas de intenção de voto, enquanto a campanha do governo Lula esperava que a rejeição popular às apostas ajudasse a aumentar sua aceitação. Uma pesquisa recente indicou que 78% da população apoiava o fim das apostas, associadas ao aumento do endividamento e do vício em jogos.
Durante a campanha, Flávio Bolsonaro criticou Lula, ligando-o a práticas de jogos online, e destacou que votou contra a regulamentação do setor. No entanto, ele fez uma distinção entre cassinos virtuais e apostas esportivas, alegando que a proibição imposta pelo governo Lula prejudicou a segurança jurídica e afetou clubes e empresas do setor.
As apostas online foram liberadas durante o governo Michel Temer e operaram sem regulamentação durante a gestão de Jair Bolsonaro. Em 2023, o governo Lula propôs uma regulamentação que visa a cobrança de tributos sobre as apostas. Flávio, reconhecendo a importância das apostas como fonte de receita para clubes e veículos de comunicação, tem se posicionado favoravelmente ao setor.
Um dia após a proibição, Flávio publicou uma enquete em suas redes sociais, sugerindo que os torcedores do Flamengo estariam mais inclinados a apoiá-lo do que a Lula. Além disso, ele incentivou o presidente do Santos a votar nele. A Polícia Federal investiga se Flávio possui participação indireta em uma casa de apostas, a Best Bet, que movimentou bilhões em apostas no Brasil.
Após o primeiro turno das eleições, onde Flávio obteve 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula, novas conversas entre sua campanha e o Flamengo ocorreram. A assessoria do Flamengo, no entanto, negou qualquer apoio à candidatura de Flávio, afirmando que o clube não se posicionará a favor de nenhum candidato.
A proibição das apostas gerou descontentamento entre os clubes, que se recusaram a participar de uma reunião com o governo federal para discutir a medida. Dirigentes de clubes, em geral, demonstram simpatia por Flávio Bolsonaro, esperando que ele tome decisões favoráveis caso seja eleito. O Flamengo, em particular, tem sido ativo na defesa das apostas, ingressando em uma ação no Supremo Tribunal Federal para contestar a validade da medida provisória de Lula.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda não se posicionou publicamente sobre a questão, mas seu presidente ajudou a organizar o boicote à reunião com o governo. A medida provisória aguarda tramitação no Congresso, onde parlamentares do centrão consideram a possibilidade de liberar as apostas após as eleições. Lula, após sua derrota no primeiro turno, tem evitado comentar sobre o tema, avaliando que o impacto positivo da proibição pode não ter sido tão significativo quanto se esperava.




