Na manhã desta terça-feira (23), a polícia prendeu duas pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de vazamento de informações sigilosas que beneficiavam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas cidades de Taquaritinga e Jaboticabal, no interior de São Paulo. A ação faz parte da Operação Backdoor, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Militar, e representa a segunda operação contra a facção criminosa em apenas um mês, evidenciando a crescente preocupação das autoridades com a segurança pública.
Os investigadores apontam que o grupo vazava informações sobre mandados de operações que seriam cumpridos contra a facção. Além das prisões, foram executados sete mandados de busca e apreensão, e um advogado também está sob investigação por sua suposta participação no esquema. Segundo as autoridades, há indícios de que os suspeitos conseguiram invadir sistemas utilizados pela Justiça, acessando ilegalmente processos protegidos por sigilo. Essas informações eram repassadas a membros do PCC, muitos dos quais são suspeitos de homicídios e outros crimes graves.
Com o acesso antecipado a esses dados, alguns alvos conseguiram se evadir antes que as medidas judiciais fossem cumpridas, e acredita-se que muitos deles ainda estejam foragidos. A operação atual visa identificar todos os envolvidos e reunir provas adicionais sobre a rede de acesso ilegal aos processos judiciais.
Essa é a terceira grande operação contra o PCC em menos de dez dias. No dia 16 deste mês, a Operação Torneira desarticulou um esquema interestadual de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, que teria movimentado cerca de R$ 230 milhões. Um dia antes, uma megaoperação mobilizou cerca de mil policiais em todo o país, cumprindo 559 mandados judiciais com o objetivo de desmantelar a estrutura de comando da facção tanto dentro quanto fora dos presídios.
Além dessas ações, no início do mês, o Gaeco deflagrou outra investigação para apurar uma suposta rede de apoio ao PCC dentro de órgãos públicos. Entre os alvos da Operação Infiltrados estavam um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil, um ex-estagiário do Ministério Público e um policial penal. Os suspeitos são acusados de compartilhar informações sigilosas sobre investigações, monitorar a atuação de autoridades e praticar extorsões em benefício da facção.
As operações recentes demonstram a determinação das autoridades em combater a criminalidade organizada e a corrupção que permeia as instituições. A luta contra o PCC e outras facções criminosas continua sendo uma prioridade para garantir a segurança da população e a integridade das instituições.




