Post: Um novo plano econômico de Bolsonaro depende de aumento de impostos e revisão de gastos

Vinicius Torres Freire analisa plano econômico de Flávio Bolsonaro, destacando a necessidade de aumento de impostos e revisão de gastos.
Um novo plano econômico de Bolsonaro depende de aumento de impostos e revisão de gastos

O economista Vinicius Torres Freire analisa as propostas de Flávio Bolsonaro para as contas públicas e aponta que, para que um novo governo Bolsonaro tenha viabilidade econômica, será necessário um aumento de impostos e uma revisão abrangente das despesas. Segundo Freire, as medidas apresentadas até agora não conseguem conter um aumento de R$ 200 bilhões em gastos no próximo ano, a menos que haja um comprometimento com o que ele chama de estelionato eleitoral, que incluiria alterações no salário mínimo e nos benefícios sociais, algo que o candidato promete evitar. Freire argumenta que um plano fiscal mais crível deve incluir cortes de gastos que, na prática, não são cortes. Ele se refere ao que é conhecido como “gasto tributário” (GT), que são reduções de impostos concedidas a determinados grupos, empresas ou atividades com o objetivo de incentivar o crescimento econômico ou proteger populações vulneráveis. O autor destaca que, para 2026, o orçamento já previa um GT de R$ 613 bilhões, o que representa uma parte significativa da receita que o governo deixa de arrecadar. O economista critica a ideia de que não seriam necessários cortes sociais, uma vez que o governo atual, sob Lula, teria identificado a magnitude do GT e utilizado isso como justificativa para não reduzir benefícios sociais. Ele ressalta que a maior parte do GT é direcionada ao quarto mais rico da população, o que gera desigualdades e ineficiências econômicas. Freire menciona que os GTs beneficiam, em grande parte, o sistema Simples, que reduz a carga tributária para pequenas e médias empresas, além de isenções para setores como saúde, educação e agricultura. Ele também cita a Zona Franca de Manaus, que recebe um grande GT, mas que enfrenta críticas por promover uma produção ineficiente. O autor questiona se um eventual novo governo Bolsonaro estaria disposto a mexer com os interesses do quarto mais rico da população e a revisar esses benefícios tributários. Para Freire, a viabilidade de um plano econômico que realmente funcione depende de um compromisso sério com a revisão das despesas e com a justiça fiscal, algo que ainda está em aberto nas propostas do candidato.

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