Post: Petróleo inicia semana em alta com incertezas sobre o estreito de Hormuz

Petróleo abre a semana em alta com incertezas sobre a reabertura do estreito de Hormuz e novas exigências do Irã.
Petróleo inicia semana em alta com incertezas sobre o estreito de Hormuz

Os preços do petróleo apresentaram uma alta significativa neste domingo (9), impulsionados pela continuidade das incertezas relacionadas à reabertura do estreito de Hormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo. O Irã anunciou que um acordo com Omã para estabelecer novas rotas de navegação está em fase final, mas destacou que os Estados Unidos ainda precisam atender a certas condições para que isso ocorra.

Os contratos futuros do barril Brent, referência internacional, subiram 2,7% nas primeiras horas de negociação, alcançando o valor de US$ 84,42, após ter encerrado a semana anterior cotado a US$ 83,55. Por outro lado, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos Estados Unidos, foi negociado a US$ 78,80, apresentando uma queda de 2,22%.

Neste mesmo dia, os houthis, que têm laços com Teerã no Iémen, informaram ter atacado a refinaria de Jazan, pertencente à Saudi Aramco, localizada na costa do mar Vermelho. O ataque ocorreu apenas dois dias após a Arábia Saudita firmar um pacto de defesa com Turquia e Paquistão, em resposta à crescente instabilidade na região, exacerbada pelo conflito em curso.

Enquanto o Irã e os Estados Unidos continuam as discussões sobre um possível acordo de paz, os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no mar Vermelho no mês passado. Desde o início do conflito, o Irã e seus aliados xiitas intensificaram os ataques a outros países do Golfo, além de ações contra carregamentos de energia.

No sábado (8), um alto funcionário iraniano da área de segurança nacional apresentou uma lista de exigências que, segundo ele, os EUA devem cumprir antes que o estreito de Hormuz possa ser reaberto ao tráfego marítimo. Essa iniciativa levanta dúvidas sobre o futuro dessa importante rota comercial. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, divulgou um comunicado à imprensa no qual detalha várias condições, incluindo a suspensão do bloqueio naval e das sanções contra o Irã, a retirada das forças militares americanas da região, o pagamento de reparações pela guerra e a liberação de ativos iranianos congelados.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que tomará medidas para impedir que o Irã obtenha armas nucleares, independentemente do andamento das negociações diplomáticas com Washington e os países do Golfo.

Os contratos futuros de petróleo já haviam fechado com uma alta superior a US$ 3 por barril na quinta-feira (6), enquanto o Irã analisava um projeto de lei que proíbe a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel pelo estreito, uma via que antes do início do conflito, no final de fevereiro, era responsável por cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

Na semana passada, os preços do petróleo apresentaram uma queda inicial, à medida que surgiam esperanças de uma solução para o conflito. Contudo, as incertezas voltaram a elevar as cotações no final da semana. Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, comentou que o mercado está avaliando se um acordo entre o Irã e Omã permitiria a passagem de navios com bandeira dos EUA pelo estreito de Hormuz. “O mercado está se perguntando se isso permitiria a passagem de um navio de propriedade dos EUA ou com destino a um porto americano”, afirmou Lipow.

Além disso, o mercado de petróleo está tentando estimar quanto tempo pode levar para que o conflito, que já dura cinco meses entre os EUA, Israel e o Irã, chegue ao fim. Lipow destacou que quanto mais longa for a interrupção no abastecimento, mais as reservas comerciais mundiais serão esgotadas.

Últimas Notícias