Post: Penitenciária da Agronômica se transforma em complexo cultural na capital catarinense

A penitenciária da Agronômica em Florianópolis se transforma em um complexo cultural, com artes, esporte e lazer, em área nobre da cidade.
Penitenciária da Agronômica se transforma em complexo cultural na capital catarinense

A histórica Penitenciária da Agronômica, localizada em Florianópolis, está passando por uma transformação significativa. Construída em 1930, a penitenciária, que por décadas abrigou o maior número de presos do estado, está sendo desmantelada para dar lugar à Cidade da Cultura. Este novo megacomplexo, que ocupará uma área de 173 mil metros quadrados, promete integrar artes, esporte, gastronomia e lazer em um espaço aberto à beira-mar. O projeto, que está sendo desenvolvido pelo governo estadual, inclui a criação de um parque com trilhas e áreas verdes, além de um novo espaço cultural que se conectará ao Centro Integrado de Cultura (CIC) e um teatro de grande porte. Também está prevista a ampliação do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) e a inclusão de áreas para shows e festivais, equipamentos esportivos ao ar livre, cafés e restaurantes. A modelagem do projeto será realizada por meio de uma parceria público-privada (PPP), permitindo que o parceiro escolhido seja responsável pela construção, reforma, manutenção e exploração econômica do complexo. Segundo o secretário-adjunto do Planejamento, Lucas Amancio, essa abordagem visa garantir a transformação do espaço sem sobrecarregar o orçamento público, mantendo a natureza pública do local com acesso gratuito às áreas abertas. A desativação da penitenciária está atrelada a um plano mais amplo de reorganização do sistema prisional em Santa Catarina, que prevê a criação de mais de 9,5 mil vagas até 2028, com investimentos de R$ 1,4 bilhão em novas unidades e ampliações. A secretária de Justiça e Reintegração Social, Danielle Amorim Silva, destaca que a desativação da Agronômica ocorrerá gradualmente, entre 2027 e 2028, à medida que as novas vagas forem sendo disponibilizadas. A ideia de deslocar o complexo penal do centro da cidade já circula há pelo menos duas décadas, mas ganhou força nos últimos anos. Em 2025, o governo estadual apresentou o projeto à Assembleia Legislativa, reforçando a necessidade de que a penitenciária não se encaixava mais na área central de Florianópolis. A penitenciária, que foi erguida em um período em que a cidade tinha um desenho urbano diferente, se tornou a principal unidade do sistema prisional do estado, abrigando até 2,6 mil presos, muito além de sua capacidade. A secretária Danielle Amorim enfatiza que as unidades modernas são projetadas para permitir um fluxo operacional mais eficiente e a separação adequada dos perfis dos presos, além de oferecer espaços adequados para saúde, educação e trabalho. A transformação da área é vista como uma oportunidade de revitalização, mas também gera preocupações. Urbanistas e representantes de entidades alertam para o risco de que o novo complexo cultural possa criar um enclave de lazer desconectado do restante da cidade, provocando uma valorização imobiliária que poderia afastar os moradores antigos da região. O arquiteto Bernardo Brasil, vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em Santa Catarina, ressalta a importância de que a intervenção respeite o que já existe e dialogue com a vizinhança. Além da Cidade da Cultura, o governo estadual está investindo em novas unidades prisionais em diversas regiões de Santa Catarina, como Joinville e Canoinhas, buscando uma reorganização do sistema que atenda às necessidades atuais e futuras da população carcerária. Essa mudança representa um passo importante para a modernização do sistema prisional e a revitalização de uma área histórica da capital, mas requer um planejamento cuidadoso para garantir que os interesses da comunidade local sejam respeitados e que a transformação beneficie a todos.

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