Localizado entre Grão-Pará e Orleans, o Parque Estadual da Serra Furada é um dos destinos mais impressionantes de Santa Catarina, com suas formações rochosas, cânions e rica biodiversidade da Mata Atlântica. Apesar do crescente interesse pelo turismo de natureza no Brasil, evidenciado pelos 28,5 milhões de visitantes em unidades de conservação em 2025, o parque ainda enfrenta desafios significativos para atrair investidores e ampliar sua infraestrutura.
Após 46 anos de existência, a Serra Furada não possui uma estrutura turística adequada para receber um número maior de visitantes. A falta de dados sobre o público e a dependência de recursos de compensação ambiental para investimentos dificultam a criação de um modelo de operação que possa qualificar a visitação. Em 2023, uma licitação foi lançada para conceder à iniciativa privada a operação dos serviços turísticos do parque por 30 anos, mas nenhuma proposta foi apresentada, resultando em uma concorrência considerada deserta.
O Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Santa Catarina está buscando alternativas, como a permissão e autorização de serviços, mas ainda não divulgou um cronograma ou detalhes sobre o financiamento necessário para a estrutura. A falta de um modelo claro e viável levanta a questão sobre como um patrimônio natural tão significativo ainda não conseguiu se consolidar como um destino turístico atrativo.
Com uma área de 1.330 hectares, o parque é cercado por uma paisagem deslumbrante, mas o acesso é restrito. Para chegar até ele, os visitantes precisam de agendamento prévio e de um condutor credenciado. Marcos Arnhold Júnior, professor e pesquisador em políticas públicas do turismo, explica que a ausência de propostas não reflete uma falta de potencial, mas sim a dificuldade de atrair investidores em uma região que ainda não possui uma oferta turística robusta.
O IMA reconhece que a falta de dados sobre o público impede a formação de estatísticas oficiais desde a abertura do parque ao público em 2021. Isso significa que uma empresa interessada em investir teria que estimar a demanda sem informações claras, o que pode desencorajar investimentos.
Atualmente, o parque conta com uma equipe reduzida, composta por dois servidores, quatro terceirizados e 14 condutores de visitantes. Não há recursos específicos no orçamento estadual para infraestrutura, e quando há verbas disponíveis, elas vêm de compensação ambiental. Embora existam processos em andamento para implantar estruturas de recepção de visitantes, o IMA não detalhou os valores ou prazos envolvidos.
A comparação com outras regiões que já implementaram modelos de concessão mais flexíveis, como o ICMBio, que lançou 19 editais de delegação de serviços em 2025, destaca a necessidade de um novo modelo para o Parque Estadual da Serra Furada. Goiás, por exemplo, está em processo de concessão de um pacote de parques estaduais, o que pode servir de inspiração para Santa Catarina.
Para que o Parque Estadual da Serra Furada se torne um destino turístico consolidado, é essencial que a região ao seu redor também se desenvolva, oferecendo sinalização turística, opções de hospedagem, gastronomia e comércio. A serra catarinense já apresenta avanços nesse sentido, com vinícolas e pousadas, mas o desafio é transformar a Serra Furada em uma parte indispensável desse circuito turístico.
Antes de implementar atrações mais complexas, como tirolesas e arvorismo, o foco deve ser o básico: controle de acesso, dados confiáveis sobre o público, manutenção das trilhas e segurança. Além disso, há espaço para experiências que respeitem as normas de uso, como turismo acadêmico e observação de espécies. A transformação do parque em um destino turístico viável depende de um esforço conjunto entre o governo, investidores e a comunidade local.



