Post: Parlamento de Portugal aprova lei que proíbe uso de burca em espaços públicos

Parlamento de Portugal aprova lei que proíbe uso de burca em espaços públicos, gerando críticas sobre direitos das mulheres e xenofobia.
Parlamento de Portugal aprova lei que proíbe uso de burca em espaços públicos

Em uma decisão controversa, o Parlamento de Portugal aprovou, na última sexta-feira (17), a chamada “Lei das Burcas”, que proíbe o uso de roupas que ocultem o rosto em espaços públicos. A proposta, apresentada pelo partido ultradireitista Chega, recebeu apoio da Aliança Democrática, coligação liderada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, e do partido de direita moderada Iniciativa Liberal. A nova legislação é vista por críticos como um retrocesso nos direitos das mulheres e uma institucionalização da xenofobia no país.

A advogada brasileira Érica Acosta, especialista em direito migratório, expressou preocupação com a aprovação da lei, afirmando que ela representa um ataque aos direitos das mulheres e uma forma de discriminação contra muçulmanas. “É um grande retrocesso em termos de direitos das mulheres, que estão sempre na balança”, disse Acosta. Ela também destacou que a lei ignora a liberdade religiosa e o direito à identidade pessoal, conforme garantido pela Constituição portuguesa.

O texto da lei não menciona explicitamente burcas ou hijabs, mas a intenção de restringir o uso de vestimentas associadas a práticas religiosas é clara, segundo especialistas. A advogada Acosta citou pareceres da Ordem dos Advogados de Portugal, da Associação Portuguesa das Mulheres Juristas e do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que consideram a nova legislação inconstitucional.

Esses pareceres afirmam que a “Lei das Burcas” fere o artigo 41 da Constituição, que versa sobre liberdade religiosa, e o artigo 21, que garante o direito à identidade pessoal. O advogado Wilson Bicalho acrescentou que a nova lei pode ser considerada um atentado à liberdade individual, uma vez que proíbe as pessoas de se vestirem como desejam.

A decisão do presidente António José Seguro, que pode vetar ou sancionar a nova legislação, será crucial. A pressão sobre o governo para que a lei seja aprovada é intensa, especialmente em um contexto de crescente islamofobia na Europa. A aprovação da “Lei das Burcas” em Portugal pode ser vista como um reflexo de um clima político mais amplo, onde discursos xenófobos ganham força e se traduzem em políticas públicas.

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