Post: Apoio a Santiago Peña desaparece nas ruas de Assunção após escândalo financeiro

Apoio a Santiago Peña desaparece nas ruas de Assunção após escândalo financeiro e impeachment.
Apoio a Santiago Peña desaparece nas ruas de Assunção após escândalo financeiro

Nas ruas de Assunção, a situação política do Paraguai se torna cada vez mais tensa, especialmente para o ex-presidente Santiago Peña, que se vê em meio a um escândalo financeiro que abala sua imagem. Encontrar um apoiador do político do Partido Colorado se tornou uma tarefa difícil, em um cenário onde a insatisfação popular se intensifica. Na última semana, o Ueno Bank, instituição com a qual Peña tinha vínculos, foi alvo de investigações que revelaram irregularidades financeiras, levando a um clamor por sua renúncia.

O clima na capital paraguaia é de protesto. Desde que o escândalo veio à tona, a presença de manifestantes nas ruas é notável, mas eles não estão ali para apoiar Peña. Ao contrário, as vozes que ecoam em Assunção clamam pela sua saída. A situação se agravou após a negativa do Congresso em atender ao pedido de prorrogação da defesa de Peña, culminando na aprovação de seu impeachment na última sexta-feira (6).

Do lado de fora do Palácio do Governo, onde a tensão é palpável, policiais formam barreiras para conter os manifestantes. O contraste entre o palácio e a escadaria que leva à sede da Presidência é um reflexo da divisão política que se intensifica no país. Enquanto em outras ocasiões a sociedade se dividia entre apoiadores e opositores, desta vez, apenas um lado se faz ouvir nas ruas: aqueles que exigem a saída de Peña.

Peña, que foi colocado no cargo por Horacio Cartes, um ex-presidente influente, não tinha uma imagem negativa até o escândalo. Em junho, ele ocupava o quinto lugar em um ranking da CB Global Data, que avaliava líderes da América Latina, superando até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, a ruptura com Cartes e a associação ao escândalo do Ueno Bank mudaram drasticamente sua trajetória política. Luiz Fernando Acce, um motorista de 32 anos, expressa a frustração popular: “Ele não tem tanta personalidade, existe por causa de Cartes, traiu o ex-presidente ao achar que poderia criar um campo político próprio — o resultado está aí.”

O escândalo financeiro não apenas manchou a reputação de Peña, mas também afetou diretamente a vida de muitos cidadãos. Acce, que se considera um dos prejudicados, afirma que ignorou os sinais de alerta sobre o Ueno Bank, onde ele mesmo perdeu dinheiro. “Todo mundo sabia que ele tinha sido sócio e que havia algo estranho no desempenho daquele banco, mas a gente ignorou os sinais.”

A insatisfação se estende a diversos setores da sociedade. Poupadores, estudantes e aposentados se unem em protestos, clamando por mudanças e responsabilização. Em meio a essa pressão, um vendedor de erva-mate, próximo à antiga estação de trens, lamenta que um político jovem como Peña não tenha conseguido romper com as práticas que considera negativas na política local. “Ele tinha potencial, mas não conseguiu se desvincular do que há de pior na política paraguaia.”

Peña estava previsto para comparecer ao Congresso e se defender das acusações, mas a sua situação se torna cada vez mais insustentável. O clima de incerteza e descontentamento permeia as ruas de Assunção, onde a população aguarda ansiosamente por desdobramentos que podem mudar o rumo da política paraguaia. A pressão popular continua a crescer, e o futuro de Santiago Peña parece cada vez mais incerto, à medida que o apoio que um dia teve se dissolve nas ruas da capital.

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