Post: Ações dos EUA tentam recuperação após queda de US$ 3,2 trilhões por temores com a IA

Após queda de US$ 3,2 trilhões, ações dos EUA mostram leve recuperação, mas temores com a IA ainda preocupam investidores.
Ações dos EUA tentam recuperação após queda de US$ 3,2 trilhões por temores com a IA

As ações de Wall Street mostraram sinais de recuperação nesta sexta-feira (6), após uma drástica perda de US$ 3,2 trilhões (R$ 17,6 trilhões) no valor de mercado, provocada por temores relacionados à inteligência artificial (IA). A reação do mercado foi tímida, especialmente quando comparada a recuperações históricas após quedas significativas. O índice Nasdaq 100, que concentra empresas de tecnologia, subiu 1,4%, enquanto o S&P 500, que reúne as principais companhias, avançou 0,3%. Essa leve recuperação ocorreu um dia após uma onda de vendas que atingiu o setor de tecnologia, levando os investidores a se desfazerem de ações devido ao receio de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dificultasse o desenvolvimento de data centers, infraestrutura essencial para o crescimento da IA.

Na quinta-feira, o Nasdaq havia despencado 6,4%, seu pior desempenho desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020. O S&P 500, por sua vez, havia registrado uma queda de 4,4%. A magnitude da liquidação foi atribuída a vendas forçadas por fundos hedge que haviam apostado em ações de IA, exacerbando o que poderia ter sido uma onda moderada de vendas. A vitória da democrata Gina Hinojosa para o governo do Texas, um importante polo para data centers, foi um fator central para a queda, uma vez que Hinojosa prometeu desacelerar a expansão dessas instalações.

No entanto, a recuperação começou a se desenhar na sexta-feira, com algumas das ações mais afetadas, como a Nvidia, que havia caído mais de 9% na quinta-feira, registrando um avanço de 2,8%. A fabricante de chips Micron também viu suas ações subirem 5,1% após um recuo de mais de 17% no dia anterior. Apesar da leve recuperação, muitos investidores ainda estavam em estado de choque pelas perdas recentes, segundo Charlie McElligott, da Nomura.

Historicamente, após quedas de pelo menos 4%, o S&P 500 recuperou, em média, cerca de 46% dos pontos perdidos. Na sessão de sexta-feira, o índice conseguiu recuperar menos de 10% dos 334,89 pontos que havia perdido anteriormente. Ajay Rajadhyaksha, presidente global de pesquisa do Barclays, comentou que a reação do mercado foi desproporcional ao resultado das eleições, e que a magnitude da liquidação não era justificada. Ele observou que a calmaria do mercado ocorreu após Hinojosa esclarecer que a moratória planejada para a construção de data centers afetaria apenas novas licenças e seria temporária, não prejudicando as obras já previstas para 2027.

As repercussões da queda nas ações dos EUA também foram sentidas globalmente, com mercados asiáticos e europeus apresentando quedas. O Nikkei 225, do Japão, caiu 6%, a pior queda em um único dia desde a guerra comercial iniciada por Donald Trump em abril de 2025. O índice sul-coreano Kospi, que possui forte concentração de empresas de tecnologia, também despencou 6%. Na Europa, as quedas foram menos acentuadas, com o Stoxx Europe 600 encerrando o dia em baixa de 1,1%. O cenário atual reflete a fragilidade do mercado diante de incertezas políticas e econômicas, especialmente no que diz respeito à regulamentação da tecnologia e seus impactos no futuro econômico.

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