A avenida Paulista, um dos principais cartões-postais de São Paulo, foi o cenário da 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ neste domingo (7). Com o tema “a rua convoca, a urna confirma”, o evento buscou integrar a pauta política à celebração, incentivando a participação da comunidade LGBT nas eleições de 2026. Para isso, uma urna inflável foi instalada, simbolizando a mobilização em torno da campanha “meu voto não é neutro”, que visa combater a apatia política e estimular o eleitorado a se manifestar nas urnas.
O personagem Votinho, um dos símbolos da campanha, liderou a mobilização, que também teve críticas contundentes ao Partido Liberal (PL), associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a parada, a artista Viviany Beleboni se referiu ao PL como o “Partido de Lúcifer”, refletindo a insatisfação de muitos manifestantes com a política do ex-presidente. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL, também foi alvo de protestos, assim como seu pai.
Raíssa Gomes, uma das participantes, expressou sua indignação: “Quando Jair Bolsonaro foi eleito, houve uma onda de ataques a pessoas LGBT nas ruas. Ele simbolizou o medo e um retrocesso nas leis, além de dar aval para que nos maltratassem”. O evento, que também contou com a presença de figuras políticas de esquerda, como a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, e as deputadas federais Sâmia Bomfim e Erika Hilton, reforçou a necessidade de uma representação legislativa mais forte para a comunidade LGBT.
Matheus Emílio Pereira da Silva, diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, destacou a importância de garantir direitos através da legislação, não apenas por decisões judiciais. “A gente precisa de um compromisso do nosso Legislativo para assegurar esses direitos na letra da lei”, afirmou.
A parada também foi marcada por apresentações de artistas como Pabllo Vittar e Gloria Groove. Entretanto, a deputada Erika Hilton criticou a queda no número de patrocinadores do evento, que teve uma redução de 60% em relação aos anos anteriores, impactando a estrutura da celebração. Hilton lembrou que a comunidade LGBT foi fundamental na aprovação do fim da escala 6×1, uma proposta de emenda à Constituição que foi aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados.
A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, além de ser um momento de celebração e visibilidade, tornou-se uma plataforma para reivindicações políticas e sociais, refletindo as lutas e aspirações da comunidade em um ano eleitoral decisivo.




