Em um marco histórico, o papa Leão 14 votou pelo correio nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conforme anunciado pelo Vaticano nesta sexta-feira (30). O líder religioso, conhecido por suas críticas ao ex-presidente Donald Trump, se tornou o primeiro papa a participar de um pleito nacional durante o exercício do pontificado. O sumo pontífice, que possui cidadania americana, exerceu seu direito de voto a partir de Chicago, sua cidade natal, onde enviou sua cédula. O Vaticano destacou que não há nenhuma regra na Igreja Católica que impeça um papa de votar em eleições nacionais. Leão 14 já havia participado de eleições no Peru durante seu tempo no país, onde possui também a nacionalidade peruana.
No comunicado oficial, o Vaticano afirmou que “o Santo Padre expressa sua convicção no direito e no dever dos cidadãos de participar dos processos democráticos”. Até o momento, não há registros de outros papas que tenham votado em eleições nacionais. O papa continua registrado como eleitor em New Lenox, um subúrbio de Chicago, onde reside seu irmão, John Prevost. Informações da imprensa americana indicam que ele participou de primárias tanto do Partido Republicano quanto do Partido Democrata nos últimos anos e votou na eleição presidencial de 2024.
Leão 14 solicitou a cédula de voto dez dias antes de ser submetido a uma cirurgia para a remoção de um tumor cancerígeno no pulmão. Após receber alta hospitalar em 17 de outubro, ele retomou gradualmente suas atividades no Vaticano. As eleições de meio de mandato, que ocorrerão em 3 de novembro, renovam parte do Congresso dos EUA, com 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado em disputa, além de eleições para governador em 36 estados. O papa votou antecipadamente.
Embora Donald Trump não seja candidato neste pleito, ele tem se envolvido ativamente na campanha para que os republicanos mantenham o controle das duas Casas do Congresso nos últimos dois anos de mandato. O papa, por sua vez, é um crítico do ex-presidente, tendo se envolvido em atritos com ele, especialmente em relação à política migratória e à guerra contra o Irã. Leão 14 tem defendido um tratamento humanitário para os imigrantes e questionado a condução da política externa dos EUA.




