O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, fez uma aparição pública no último domingo (19) durante uma cerimônia em comemoração à Revolução Sandinista, após um período de ausência. Durante o evento, ele declarou que “não haverá mais eleições” no país que governa há quase 20 anos. A afirmação foi feita em um contexto em que Ortega critica os partidos políticos que, segundo ele, foram criados pelos Estados Unidos, referindo-se a eles como “golpistas”.
Em sua fala, Ortega não detalhou como pretende implementar essa nova estratégia, mas afirmou que trabalhará com a Assembleia Nacional, que é dominada por seus aliados, para estabelecer um “bloqueio contra os golpistas e traidores”. Ele enfatizou que a história de partidos que, segundo ele, foram impostos pelos ianques, chegou ao fim, e que não importa quanto dinheiro os EUA invistam, eles não conseguirão retomar o poder.
A declaração de Ortega não representa uma grande mudança no cenário político da Nicarágua, onde a legitimidade das eleições já era questionada. Desde 2008, denúncias de fraudes eleitorais são frequentes, e o último pleito presidencial, realizado em 2021, ocorreu sob condições extremamente desfavoráveis para a oposição, que foi praticamente eliminada. Muitos críticos do regime estão fora do país ou perderam a nacionalidade nicaraguense, sendo considerados “traidores da pátria”.
Com isso, a Nicarágua se aproxima ainda mais de um regime autoritário, similar ao que se observa em países como Cuba e Coreia do Norte. A declaração de Ortega ocorre em um momento em que a influência dos Estados Unidos na América Latina, sob a administração de Donald Trump, parece estar se intensificando. Recentemente, os EUA impuseram restrições de vistos a mais de cem autoridades nicaraguenses, após a morte sob custódia do líder indígena Brooklyn Rivera, que estava detido desde setembro de 2023.
Marco Rubio, secretário de Estado americano, afirmou que os EUA estão ao lado do povo nicaraguense, que deseja uma Nicarágua livre. Nos últimos meses, Ortega assistiu a outros líderes autoritários da região, como Nicolás Maduro, enfrentando pressão externa, enquanto ele próprio parece ter conseguido evitar consequências mais severas, apesar das crescentes críticas ao seu governo. A situação política na Nicarágua continua a ser um ponto de atenção internacional, especialmente em um contexto de crescente autoritarismo e repressão.




