Post: Governo propõe limite para reajuste de servidores públicos no orçamento de 2027

Governo limita reajuste real de servidores públicos no orçamento de 2027, com previsão de déficit primário.
Governo propõe limite para reajuste de servidores públicos no orçamento de 2027

O governo federal apresentou o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que estabelece um limite para o reajuste real dos salários dos servidores públicos. A proposta surge em meio a uma estimativa de déficit primário de R$ 52 bilhões para 2026, o que gerou a necessidade de um controle mais rigoroso nas despesas com pessoal. De acordo com a nova regra, os pagamentos aos servidores não poderão crescer mais do que 0,6% acima da inflação, uma medida que visa conter os gastos públicos em um cenário fiscal desafiador.

A proposta foi enviada ao Congresso Nacional no último dia 31 e reflete a preocupação do governo com a sustentabilidade das contas públicas. O mecanismo de limitação, instituído pelo Artigo 6 do arcabouço fiscal, é acionado sempre que o governo registra um déficit primário, ou seja, quando as despesas superam as receitas, excluindo o pagamento de juros da dívida pública. Com o resultado negativo registrado em 2025 e a previsão de novo déficit em 2026, a limitação será aplicada em 2027.

O gatilho para o reajuste só poderá ser desativado quando as contas públicas voltarem a apresentar superávit primário.

Impacto sobre os salários

Segundo a nova regra, enquanto houver déficit primário até 2030, as despesas com pessoal, que incluem servidores ativos, aposentados e pensionistas, não poderão crescer mais de 0,6% ao ano acima da inflação. No entanto, essa limitação não se aplica ao pagamento de sentenças judiciais, que incluem precatórios.

Na prática, essa medida impede que o governo conceda reajustes que representem ganho real para o funcionalismo federal em 2027, caso a situação fiscal permaneça desfavorável.

Entendendo o déficit primário

O déficit primário ocorre quando as receitas do governo são inferiores às despesas, sem considerar os pagamentos de juros da dívida pública. Em contrapartida, o superávit primário é registrado quando as receitas superam as despesas. O arcabouço fiscal, aprovado em 2023, estabelece que o crescimento das despesas deve ser limitado a até 70% do aumento das receitas, respeitando um teto de 2,5% ao ano acima da inflação.

Além disso, no final de 2024, o Congresso aprovou novas regras para reforçar o controle das contas públicas, incluindo restrições a incentivos e benefícios tributários em caso de déficit primário, bem como limites para o crescimento das despesas com pessoal.

Histórico de acordos salariais

A nova restrição surge após o governo ter firmado, em 2024, acordos salariais com a maioria dos servidores do Executivo federal. Essas negociações garantiram reajustes para 2025 e 2026, além de reestruturações de carreiras, abrangendo 98,2% dos servidores federais. A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, destacou que os acordos visavam garantir a reposição da inflação durante o mandato, além de proporcionar ganho real para as categorias.

Entretanto, com a nova limitação fiscal, o espaço para novos aumentos acima da inflação em 2027 se torna bastante restrito, enquanto o governo continuar enfrentando déficit primário.

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