O presidente israelense, Isaac Herzog, escolheu Gadi Eisenkot para tentar formar um novo governo, o que representa uma mudança significativa no cenário político do país, especialmente após duas décadas de liderança de Binyamin Netanyahu, que se tornou um símbolo das dificuldades enfrentadas pelos palestinos. A ascensão de Eisenkot, no entanto, não traz grandes esperanças para uma solução do conflito, uma vez que ele não pretende mudar a dinâmica atual que impede a criação de um Estado palestino.
Durante o governo de Netanyahu, a política de expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia se intensificou, resultando em um território palestino fragmentado e desconectado. Eisenkot, que já se manifestou a favor de conter essa expansão e combater a violência dos colonos, não propõe a retirada total das terras ocupadas, o que indica que as mudanças que ele sugere podem ser limitadas.
Ambos, Eisenkot e Netanyahu, compartilham a visão de que Israel deve manter o controle militar sobre a Cisjordânia e não se retirar da Faixa de Gaza até que o Hamas seja desarmado. Essa continuidade na abordagem militar reflete a falta de disposição para discutir as reivindicações históricas dos palestinos, que incluem a criação de um Estado independente e o direito de retorno dos refugiados. Eisenkot, em diversas ocasiões, rejeitou a ideia de um Estado palestino, considerando-a um erro grave, especialmente após os atentados de 7 de outubro de 2023.
A formação de um novo governo não será uma tarefa fácil para Eisenkot. O bloco de Netanyahu possui 53 assentos no Parlamento, enquanto o de Eisenkot conta com 48, sendo necessário um mínimo de 61 para governar. Uma possível solução seria formar uma coalizão com os partidos árabe-israelenses, que conquistaram 19 assentos nas últimas eleições. No entanto, Eisenkot já descartou essa possibilidade, o que sugere que ele não está disposto a romper com a tradição política israelense.
Outra alternativa seria buscar apoio dos partidos ultraortodoxos, que tradicionalmente aliam-se a Netanyahu. Essa aliança, no entanto, exigiria a dispensa dos ultraortodoxos do serviço militar, uma proposta que pode ser impopular entre os eleitores. Eisenkot tem um prazo de 28 dias para formar um governo, com a possibilidade de prorrogar esse prazo por mais duas semanas. Se falhar, a responsabilidade pode recair novamente sobre Netanyahu, que ainda não está fora do jogo político.
A situação permanece delicada e as questões estruturais que prolongam a crise palestina não devem ser resolvidas com a simples mudança de liderança. A falta de um diálogo significativo sobre as reivindicações palestinas indica que, independentemente de quem esteja no poder, as dificuldades enfrentadas pela população palestina continuarão a ser um desafio premente.



