No cenário atual da China, uma nova geração de bilionários está emergindo, marcada por um distanciamento significativo das práticas de seus antecessores. Em vez de se envolverem com a imprensa e participar de eventos públicos, esses novos magnatas preferem manter um perfil discreto, focando em inovações e na construção de negócios globais. Essa mudança de comportamento reflete não apenas uma nova abordagem empresarial, mas também uma adaptação às dinâmicas sociais e econômicas do país.
Um exemplo notável é Liang Wenfeng, fundador da DeepSeek, um laboratório de inteligência artificial que, em um curto espaço de tempo, alcançou uma avaliação de US$ 71 bilhões. Apesar de sua fortuna pessoal ter disparado para cerca de US$ 38 bilhões, Liang é quase uma figura fantasma, raramente aparecendo em público ou na mídia. Essa tendência de evitar a exposição midiática é compartilhada por outros jovens bilionários, que agora representam uma parte significativa dos novos ricos da China.
De acordo com a Hurun, uma organização que monitora a riqueza global, em 2026, havia pelo menos 30 bilionários chineses com 40 anos ou menos, um aumento considerável em relação ao ano anterior. Esses novos empreendedores estão mudando o foco de suas atividades, abandonando a especulação imobiliária em favor de setores como tecnologia, consumo e entretenimento. Eles são mais rápidos em transformar ideias criativas em negócios viáveis, refletindo uma nova mentalidade empreendedora.
A trajetória dos bilionários chineses é relativamente recente, tendo começado nos anos 1980, quando muitos descobriram como extrair ativos do Estado. Com o passar dos anos, a abertura do mercado imobiliário e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio possibilitaram o surgimento de novos magnatas. No entanto, a nova geração parece estar traçando um caminho diferente, com uma forte ênfase em produtos de consumo e mídia.
Além disso, a globalização dos negócios é uma característica marcante dessa nova geração. Antes, os empreendedores chineses enfrentavam dificuldades para expandir suas operações internacionalmente, mas agora, muitos estão se estabelecendo rapidamente em mercados estrangeiros. Por exemplo, a Chagee, uma loja de chá, conseguiu abrir sua primeira loja fora da China apenas dois anos após sua fundação.
As atitudes em relação ao trabalho também estão mudando. A antiga cultura empresarial da rotina “996” — que exigia que os funcionários trabalhassem das 9h às 21h, seis dias por semana — está sendo substituída por uma abordagem mais flexível. Muitos dos novos bilionários priorizam a saúde mental de seus colaboradores, adotando práticas de trabalho que visam o bem-estar.
Liang, por exemplo, acredita que o cérebro humano só consegue se concentrar por um período limitado, e que o excesso de trabalho pode levar a erros. Essa nova filosofia de gestão reflete uma mudança cultural significativa na China, onde a pressão para trabalhar longas horas tem sido uma norma por décadas.
Em suma, a nova geração de bilionários chineses está se distanciando das práticas tradicionais de seus antecessores, optando por um estilo de vida mais reservado e uma abordagem empresarial que prioriza a inovação e a saúde mental. Essa transformação não apenas redefine o perfil dos magnatas chineses, mas também pode ter implicações profundas para a economia do país e suas relações com o resto do mundo.



