O fenômeno climático El Niño, que acaba de ser classificado como de intensidade muito forte, está gerando preocupações em Santa Catarina, especialmente em relação a tempestades e tornados. A Defesa Civil do estado, em conjunto com o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram), anunciou que a primavera deste ano deve ser marcada por chuvas acima da média e um aumento na frequência de eventos climáticos severos. Essa avaliação foi feita durante o Fórum Climático Catarinense, com dados que indicam uma anomalia de 2,2°C na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial.
Frederico de Moraes Rudorff, gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil, destacou que a umidade e a instabilidade atmosférica elevadas podem resultar em eventos extremos, como microexplosões e tornados. Contudo, ele ressalta que isso não garante a ocorrência de fenômenos intensos em todas as regiões. A previsão aponta para um outubro e novembro com volumes de chuva acima da média, mas não significa que cada município enfrentará tornados ou desastres de grande magnitude.
A atualização da classificação do El Niño se deu em função do aquecimento do Pacífico, que ultrapassou o patamar de 2°C, necessário para ser considerado muito forte. Nicolle Reis, meteorologista da Defesa Civil, explicou que as anomalias observadas superaram o limite estabelecido, levando à nova categorização do fenômeno. A classificação é baseada em condições oceânicas recentes e projeções para os meses seguintes, com a expectativa de que a intensidade do fenômeno seja confirmada pelos índices oficiais da NOAA, agência norte-americana responsável pelo monitoramento.
A primavera é tradicionalmente uma estação propensa a temporais em Santa Catarina, e a presença do El Niño deve intensificar esse padrão. Os especialistas alertam para a possibilidade de chuvas excessivas, que podem resultar em alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. Rudorff explica que, durante a primavera e o outono, o transporte de umidade da Amazônia para Santa Catarina é intensificado, enquanto no verão esse fluxo se desloca para o Sudeste, diminuindo a influência sobre as chuvas no estado.
Regiões como o Extremo-Oeste, Oeste e Meio-Oeste já apresentam volumes de chuva elevados, com médias históricas entre 210 e 280 milímetros. Esses dados servem como referência climática, e não como previsão do que pode ocorrer neste ano. O boletim da Epagri/Ciram indica a possibilidade de tempestades severas em alguns eventos, reforçando a necessidade de monitoramento constante.
Embora a classificação de El Niño como muito forte sugira um aumento na frequência de chuvas, isso não implica que os desastres serão necessariamente mais intensos. Rudorff lembrou que eventos severos não estão diretamente relacionados à intensidade do fenômeno, citando enchentes que ocorreram em anos de El Niño moderado. Fatores como a oscilação de Madden-Julian e o jato subtropical também influenciam a formação de chuvas intensas, o que torna o monitoramento essencial.
A Defesa Civil orienta a população a acompanhar as previsões meteorológicas e os avisos de curto prazo, que alertam sobre situações de risco. Durante temporais com ventos fortes, raios ou granizo, é recomendado buscar abrigo em locais seguros e evitar áreas abertas. Para receber alertas via SMS, a população pode enviar o CEP da sua área para o número 40199, garantindo assim uma comunicação eficaz em situações de emergência.




