Post: Mossad teria planejado recrutamento de ex-presidente do Irã, revela investigação

Investigação revela que o Mossad planejou recrutar ex-presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para derrubar regime atual.
Mossad teria planejado recrutamento de ex-presidente do Irã, revela investigação

Uma investigação do jornal israelense Haaretz revelou detalhes sobre uma operação secreta do Mossad, o serviço de inteligência de Israel, que visava derrubar o regime dos aiatolás no Irã e reinstaurar Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente iraniano e um dos principais adversários do Estado judeu. O plano, que recebeu o nome de “Puss in Boots”, foi conduzido durante quase dois anos sob a liderança do diretor do Mossad, David Barnea, e com a orientação direta do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. No entanto, a operação falhou antes mesmo de ser implementada.

De acordo com o Haaretz, que entrevistou mais de 30 figuras-chave da política, defesa e diplomacia israelense, a mudança de postura de Netanyahu em relação ao regime iraniano ocorreu em 2024, após dois eventos significativos: a morte do então presidente iraniano Ebrahim Raisi em um acidente de helicóptero, que foi celebrada nas ruas de Teerã, e o colapso rápido do regime de Bashar al-Assad na Síria. Esses acontecimentos levaram Netanyahu a acreditar que o regime iraniano era mais vulnerável do que se pensava, desafiando a avaliação cautelosa que havia prevalecido por quase duas décadas, defendida por ex-chefes do Mossad como Meir Dagan e Tamir Pardo.

Com essa nova perspectiva, Netanyahu instruiu Barnea a redirecionar os recursos do Mossad para desestabilizar o Irã. O plano se desdobrou em várias frentes, incluindo o treinamento e armamento de milícias curdas no Iraque para invadir o oeste do Irã, sob cobertura aérea israelense. Outras minorias no Irã seriam mobilizadas para gerar agitação interna, e, na fase final, Ahmadinejad seria trazido de volta ao poder com a promessa de abandonar o programa nuclear do país.

O Haaretz também destacou que reuniões semanais eram realizadas na Kirya, sede das Forças Armadas em Tel Aviv, onde Netanyahu, Barnea e líderes militares discutiam o andamento do plano. O clima nas reuniões era descrito como informal, com Netanyahu frequentemente vestido de maneira casual, enquanto Barnea se apresentava em terno.

Contudo, a operação enfrentou resistência interna significativa desde o início. O chefe da Inteligência Militar, general Shlomi Binder, e o chefe da divisão de pesquisa, general Ofir Mizrahi-Rosen, elaboraram avaliações que indicavam baixas chances de sucesso. O assessor de segurança nacional, Tzachi Hanegbi, decidiu não participar mais das reuniões, considerando os planos como “ficção científica” sem valor prático. Três dias antes da data programada para a ofensiva, o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, ordenou a interrupção das atividades. No entanto, Netanyahu optou por seguir adiante com o plano, desconsiderando as advertências da cúpula militar.

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