A morte de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos que se tornou um símbolo da luta pelo direito à moradia na Espanha, reacendeu os ânimos da população e intensificou os protestos que pedem mudanças nas leis habitacionais do país. Maricarmen faleceu na quarta-feira (7) após ser despejada de seu apartamento, onde viveu por 70 anos, e estava internada desde então, debilitada pela situação que enfrentou. Sua morte ocorre em um momento crítico, com as eleições parlamentares se aproximando, marcadas para o final de novembro, e um clima político já tenso devido à recente dissolução do Parlamento pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez.
Maricarmen foi retirada de sua casa em um episódio que chocou a sociedade espanhola. Após o despejo, a idosa ficou hospitalizada e, mesmo com a autorização da empresa proprietária do imóvel para retornar, não conseguiu voltar para seu lar. Na manhã seguinte à sua morte, cerca de 20 mil pessoas se reuniram em uma marcha em Madri, saindo da Puerta del Sol, um dos principais marcos da cidade e epicentro dos protestos por moradia. O ato foi um tributo à idosa e uma manifestação contra a crescente crise habitacional que atinge o país.
O acampamento montado na Puerta del Sol, que já abriga mais de 1.300 tendas, se tornou um símbolo da luta por moradia digna. Os manifestantes expressam sua indignação diante do aumento exorbitante dos preços dos imóveis, que subiram 80% entre 2015 e 2025, enquanto os aluguéis dispararam em 87% no mesmo período. Os participantes do acampamento, como Flor Díaz, um bombeiro florestal que viajou das Ilhas Canárias para se juntar à causa, relataram a dor pela morte de Maricarmen e a determinação em continuar a luta por justiça habitacional.
“Senti uma dor enorme com a morte de Maricarmen”, disse Flor, que está acampado há nove dias. “Fiquei muito triste, mas aqui pude gritar junto aos companheiros e companheiras. Fizemos cartazes, homenagens com velas, fomos ao Congresso e continuamos nosso acampamento.” A indignação é palpável entre os manifestantes, que culpam o governo pela situação e clamam por mudanças urgentes nas políticas habitacionais.
A morte de Maricarmen não apenas mobilizou a população, mas também teve repercussões políticas. O primeiro-ministro Pedro Sánchez, que já enfrentava críticas por sua gestão habitacional, anunciou a dissolução do Parlamento no dia 5 de outubro, após a rejeição de dois decretos sobre habitação. As eleições antecipadas, marcadas para 29 de novembro, agora ocorrem em meio a um clima de crescente descontentamento popular e pressão por reformas que garantam o direito à moradia.



