Post: Ministro da Fazenda cobra CVM por retorno de norma de sustentabilidade para empresas

Ministro da Fazenda cobra CVM por volta de norma de sustentabilidade, exigindo relatórios financeiros de empresas abertas.
Ministro da Fazenda cobra CVM por retorno de norma de sustentabilidade para empresas

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, solicitou ao novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, a retomada da obrigatoriedade para companhias abertas de divulgarem informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. Essa norma, que havia sido revogada em 29 de maio, exigia que as empresas publicassem relatórios sobre clima e sustentabilidade a partir de 2027, conforme a resolução 193/2023. A revogação da norma gerou preocupação entre autoridades e especialistas, pois os relatórios ofereciam informações cruciais sobre ativos vulneráveis a impactos ambientais e metas de emissões de gases do efeito estufa.

Durante uma reunião realizada na última terça-feira (2), Durigan expressou sua insatisfação com a decisão da CVM, ressaltando que uma mudança tão significativa não poderia ter sido feita sem a presença de todos os diretores da autarquia. Com apenas duas das cinco diretorias ocupadas no início de 2026, a CVM ficou sem julgar processos por cinco meses, o que levantou questões sobre sua capacidade de fiscalização. Durigan enfatizou a necessidade de um alinhamento mais forte entre a CVM e o Ministério da Fazenda, especialmente após o escândalo envolvendo o caso Master, que expôs falhas na supervisão da autarquia.

A CVM, ao justificar a revogação da norma, afirmou que as mudanças visavam aprimorar o modelo de adoção voluntária, mantendo a transparência e a comparabilidade das informações financeiras, mas respeitando a liberdade das empresas para estimar os custos e benefícios de suas decisões. A resolução que revogou a obrigatoriedade foi assinada pelo presidente interino da CVM, João Accioly, embora Otto Lobo ainda não tenha tomado posse oficialmente.

A pressão para a revogação da norma veio do setor empresarial, com a Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas) protocolando um ofício no final do ano passado solicitando a derrubada das regras ou um adiamento de três anos. O argumento central era que a implementação da norma acarretaria custos elevados para as empresas, que poderiam chegar a 70% dos gastos em auditoria, além de sobrecarregar as companhias em um momento de mudanças legais significativas, como a reforma tributária. O novo presidente da CVM, Otto Lobo, recebeu orientações sobre a importância de reavaliar a situação e buscar um equilíbrio entre a sustentabilidade e as demandas do mercado.

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