A cidade de Cali, na Colômbia, vive dias de angústia e esperança após o devastador terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a região na última segunda-feira. Com mais de 180 mortes confirmadas até o momento, sendo 95 apenas em Cali, a população se mobiliza em uma busca incansável por sobreviventes sob os escombros de prédios desmoronados, como o emblemático Torres del Limonar. Efraín Gallego, um dos muitos que aguardam notícias, não perde a esperança de encontrar seu irmão, que ficou preso entre os destroços. “Cada vez que há um alerta de que uma pessoa está viva, renasce em mim a esperança de encontrá-lo”, desabafa, com a voz embargada pela emoção.
O Torres del Limonar, que desabou com a força do tremor, se tornou um símbolo da tragédia em Cali, a terceira cidade mais populosa do país. No local, equipes de resgate e voluntários trabalham incessantemente, tentando localizar possíveis sobreviventes. “Silêncio! Somos bombeiros. Se estiverem nos ouvindo, gritem ou façam qualquer barulho!”, pedem os socorristas, enquanto cavam entre os escombros. Apesar da angústia, Gallego se agarra à esperança, mesmo quando os momentos de silêncio se arrastam.
Na manhã de terça-feira, o cenário era desolador. Os escombros do edifício se misturavam a colchões e móveis, enquanto a cidade tentava se recuperar do impacto do terremoto. As equipes de resgate, compostas por militares, bombeiros e voluntários, enfrentam o desafio de encontrar sobreviventes em meio à destruição. O prefeito de Cali, Alejandro Éder, informou que, na noite de segunda-feira, cerca de 25 pessoas estavam presas sob os escombros, e as escavações continuavam sem descanso.
Relatos de sobreviventes começaram a surgir, trazendo um fio de esperança. Um socorrista mencionou que, até o momento, haviam conseguido resgatar cerca de dez pessoas, incluindo uma bebê de poucos meses. “O que posso dizer é que, neste momento, há pelo menos duas pessoas que foram detectadas com vida. Estão sendo feitos túneis para retirá-las”, afirmou James Velasco, um dos socorristas. A magnitude do terremoto foi considerada a mais forte do século, e seu epicentro foi localizado na região de Chocó, causando destruição em várias áreas do noroeste do país.
Enquanto as horas se arrastam, a angústia dos familiares aumenta. Muitos moradores de Cali, visivelmente abalados, preferem não falar. Alguns se reúnem para encontrar conforto uns nos outros, enquanto outros dormem exaustos em meio aos escombros. No entanto, a solidariedade da comunidade é palpável. Gallego destaca a importância do apoio recebido: “É preciso mencionar todas as pessoas que vieram ajudar com água, insumos, ferramentas; há muita colaboração. Os voluntários são numerosos”. Entre eles está Alejandro Mahecha, um jovem de 19 anos que decidiu ajudar após passar a noite em segurança com sua família. “Queria ajudar desde o início. O terremoto afetou minha cidade e as casas de pessoas conhecidas”, conta ele, enquanto trabalha ao lado de amigos para remover escombros e levar água aos socorristas.
O trabalho continua, e a esperança persiste entre os que aguardam notícias. Gallego, embora angustiado, se recusa a desistir. “Quem está destinado a sobreviver, sobrevive. Nada está escrito”, afirma Velasco, oferecendo uma luz de esperança em meio à escuridão. A busca por sobreviventes em Cali é um testemunho da resiliência humana diante da tragédia, e a cidade se une em um esforço coletivo para encontrar aqueles que ainda podem estar vivos sob os escombros.




