O mercado de trabalho brasileiro tem demonstrado um aquecimento significativo, refletido em indicadores que vão além da tradicional taxa de desocupação. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (26), revelou que o país alcançou a menor taxa de subutilização já registrada, atingindo 13,3% no trimestre móvel encerrado em maio. O recorde anterior era de 13,4%, registrado no último trimestre de 2025.
Os dados, fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o número de subutilizados caiu para 15,1 milhões de pessoas, uma redução de 5,7% em relação ao trimestre anterior. Em comparação com o mesmo período do ano passado, 1,9 milhão de pessoas deixaram a condição de subutilizados.
A Pnad analisa o comportamento do mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais, considerando todas as formas de ocupação, incluindo empregos formais, temporários e autônomos.
O que é subutilização
A taxa de subutilização é um indicador que mede a parcela da população em idade de trabalhar que não é plenamente aproveitada pelo mercado, abrangendo não apenas os desempregados, mas também aqueles que desejam trabalhar mais horas e os desalentados, que não buscam emprego por acreditarem que não o encontrarão.
William Kratochwill, analista da pesquisa, explica que o universo de subutilizados inclui:
- Desocupados: pessoas que procuraram uma vaga nos últimos 30 dias.
- Subocupados por insuficiência de horas trabalhadas: aqueles que desejam trabalhar mais, mas não conseguem.
- Força de trabalho potencial: inclui tanto desalentados quanto não desalentados.
Os desalentados são aqueles que não buscam emprego por acreditarem que não há oportunidades disponíveis, enquanto os não desalentados querem trabalhar, mas podem não estar ativamente procurando.
Comportamento da taxa
No trimestre encerrado em maio, a taxa de subutilização caiu para 13,3%, marcando uma tendência de melhora no mercado de trabalho. A maior taxa registrada na Pnad foi de 30,7% no trimestre até agosto de 2020, durante a pandemia de covid-19. Antes da crise, a taxa mais alta havia sido de 25%, em maio de 2019.
“Isso mostra que o estoque de pessoas que podem ser absorvidas pelo mercado de trabalho está diminuindo cada vez mais”, afirma Kratochwill.
Mercado aquecido
O analista ressalta que, embora a taxa de subutilização não seja tão conhecida quanto a taxa de desocupação, ela é um indicativo importante da saúde do mercado de trabalho. “O mercado está aquecido, absorvendo toda a mão de obra possível”, destaca. Essa situação pode levar a um aumento na demanda por mão de obra, resultando em melhores condições de trabalho e salários.
“Se a mão de obra se torna mais escassa, os salários devem subir e as condições de trabalho precisam melhorar”, conclui Kratochwill.




