O Irã acusou os Estados Unidos neste sábado (27) de “violação flagrante” do acordo de paz firmado entre os dois países para encerrar a guerra no Oriente Médio, em decorrência dos recentes ataques americanos ao país, que ocorreram na sexta-feira (26). Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que “esses ataques brutais, que tiveram como alvo instalações iranianas de vigilância costeira, são uma violação flagrante” do memorando de entendimento que visa encerrar as hostilidades. Esse memorando, que contém 14 pontos, estabelece o fim imediato das operações militares entre as duas nações e seus aliados, além de prever a reabertura do estreito de Hormuz e a retirada gradual das forças americanas da região. O documento também fixa um prazo de até 60 dias para a negociação de um acordo definitivo, que deve incluir um novo pacto sobre o programa nuclear iraniano. Além disso, o memorando prevê a suspensão de sanções contra Teerã, a liberação de ativos iranianos congelados, isenções para exportações de petróleo e um plano de reconstrução do país, estimado em pelo menos US$ 300 bilhões, financiado por parceiros dos EUA. Em contrapartida, o Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares e aceita negociar o futuro de seu estoque de urânio enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O Exército dos EUA, por sua vez, declarou que suas forças atacaram depósitos iranianos de mísseis e drones, além de instalações de radar costeiro, como resposta a um ataque iraniano contra um navio cargueiro que transitava pelo estratégico Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã, sem fornecer detalhes, afirmou ter revidado o ataque americano, mirando postos militares dos EUA na região. Essa nova onda de hostilidades aumenta a tensão em torno do frágil acordo de paz assinado em 17 de junho entre os dois países. O chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, alertou que a “violação imprudente do cessar-fogo” acarretará “recuo e arrependimento” por parte dos EUA. Azizi criticou o presidente americano, Donald Trump, por não demonstrar comprometimento com os princípios de negociação ou trégua. Em resposta, o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, declarou que “se o Irã tiver divergências sobre como o memorando de entendimento está sendo aplicado, pode pegar o telefone”. Ele enfatizou que “a violência será respondida com violência”.



