Os campeonatos de futebol no Brasil têm enfrentado um momento crítico, marcado pela banalização da mediocridade. Recentemente, os jogos da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro apresentaram um nível técnico abaixo do esperado, com partidas em gramados ruins, como o confronto entre Corinthians e Athletico Paranaense. Além disso, o clima de tumulto, reclamações e pressão sobre os árbitros tem se tornado comum, tornando a experiência do torcedor menos agradável. Para muitos, essa situação representa o que chamam de “futebol raiz”, mas a verdade é que a falta de qualidade e organização é alarmante.
Essa mediocridade nos campeonatos nacionais também reflete os fracassos da seleção brasileira, que há anos não consegue alcançar os resultados esperados. Essa situação é um reflexo de problemas mais profundos que o Brasil enfrenta, como a violência, a corrupção e a falta de infraestrutura básica em muitas regiões. Assim como as ações governamentais, que muitas vezes são superficiais e populistas, o futebol brasileiro parece estar preso em um ciclo de paliativos, sem uma verdadeira mudança estrutural.
Recentemente, Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, admitiu que errou ao escalar Neymar durante o segundo tempo em um jogo contra a Noruega. Essa decisão, embora baseada em sua vasta experiência, demonstra uma ilusão comum entre muitos torcedores: a crença de que Neymar poderia resolver os problemas da equipe em momentos críticos. A estratégia de recuar para contra-atacar, adotada por Ancelotti, não se mostrou eficiente, especialmente quando a equipe adversária mantinha a posse de bola e controlava o jogo.
Historicamente, equipes que não possuem bons laterais, mas contam com pontas talentosos, têm obtido sucesso com formações táticas que priorizam a ofensividade. O Palmeiras, por exemplo, tem utilizado uma formação com três zagueiros e dois alas, aproveitando a velocidade e os cruzamentos precisos de seus jogadores. Essa abordagem poderia ser uma solução para revitalizar o futebol brasileiro, que precisa de melhorias tanto dentro quanto fora de campo, especialmente na formação de novos talentos.
Um exemplo de jogador que poderia servir de inspiração é Rodri, eleito o melhor jogador do Mundial. Sua habilidade em iniciar jogadas e sua eficiência na marcação, mesmo sem marcar gols, demonstram que o futebol deve valorizar mais do que apenas os artilheiros. No Brasil, a tendência ainda é de supervalorizar quem faz gols ou dá passes decisivos, em detrimento de jogadores que desempenham funções fundamentais em campo.
Ancelotti anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo não estarão na próxima convocação, marcando o início de um processo de renovação na seleção. Essa mudança é necessária, pois muitos dos jogadores que participaram do último Mundial provavelmente serão substituídos nos próximos anos.
A UEFA, por sua vez, tomou uma posição firme ao anunciar que não participaria de competições promovidas pela FIFA caso a entidade decidisse vender o futebol para empresários. Essa decisão, apoiada por várias federações, exceto pela sul-americana Conmebol, destaca a necessidade de proteger o futebol de interesses que possam comprometer sua essência.
O futuro do futebol brasileiro depende de uma transformação profunda, que vai além das mudanças de elenco. É preciso repensar a forma como o esporte é administrado, valorizando a formação de jogadores e a qualidade do jogo. Somente assim poderemos esperar um retorno à excelência que o futebol brasileiro sempre foi conhecido.




