O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) aceitou a denúncia contra uma médica responsável pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Angelina Caron, localizado em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A profissional enfrenta acusações de homicídio culposo em relação à morte de seis crianças e recém-nascidos, ocorridas entre maio e julho de 2024.
De acordo com o Ministério Público do Paraná (MPPR), as vítimas tinham idades que variavam entre dois meses e 11 anos. As mortes foram atribuídas a choque séptico e falência múltipla de órgãos, resultantes de uma grave contaminação intra-hospitalar por bactérias multirresistentes. O MPPR destaca que a médica teria falhado em seguir protocolos básicos de assepsia e biossegurança, permitindo assim um ambiente propício para a contaminação.
Além das acusações criminais, o MPPR também solicita uma reparação financeira de, no mínimo, R$ 50 mil para cada família afetada. A denúncia aponta que a médica não apenas se omitiu na fiscalização, mas também deixou de observar regras técnicas essenciais, o que comprometeu a segurança dos pacientes.
Entre as falhas mencionadas estão a reutilização de luvas de procedimento entre pacientes diferentes, a falta de higiene, incluindo a privação de banhos, e o manuseio inadequado de tubos de intubação e acessos venosos. Tais práticas foram consideradas inaceitáveis pela acusação.
Em resposta à situação, o Hospital Angelina Caron informou que ainda não teve acesso aos autos do processo e, assim que for oficialmente citado, fornecerá à Justiça todas as informações necessárias para o esclarecimento dos fatos. A instituição reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes e com o cumprimento das normas técnicas e sanitárias vigentes.
O Conselho Regional de Medicina (CRM) também se manifestou, informando que instaurará um procedimento sindicante para investigar as alegações. As penalidades para a médica podem variar desde advertências até a cassação do exercício profissional, dependendo dos resultados da apuração.
A gravidade da situação levanta preocupações sobre a segurança em unidades de terapia intensiva e a responsabilidade dos profissionais de saúde em garantir o cumprimento de protocolos que visam proteger a vida dos pacientes. O caso segue sob investigação, e a sociedade aguarda por esclarecimentos e ações efetivas que possam prevenir novas tragédias semelhantes.



