A disputa pelo governo de Mato Grosso em 2026 pode marcar um momento histórico para o estado, com a possibilidade de um segundo turno pela primeira vez desde a redemocratização. As últimas pesquisas de intenção de voto indicam que os candidatos Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) estão em uma corrida acirrada, com 27% e 23% das intenções de voto, respectivamente, segundo dados do instituto Quaest. Desde a implementação do segundo turno para governador em 1988, Mato Grosso nunca havia passado por essa situação. O segundo turno ocorre quando nenhum candidato alcança a maioria absoluta dos votos. Com um cenário eleitoral dominado por candidatos de direita e centro-direita, a esquerda optou por não lançar um candidato próprio, apoiando a candidatura de Doutora Natasha (PSD), que atualmente ocupa a terceira posição nas intenções de voto, com apenas 8%.
A pesquisa, realizada entre 21 e 24 de agosto, entrevistou 804 pessoas e tem uma margem de erro de 2,6 pontos percentuais. Os dados mostram que 29% dos eleitores ainda estão indecisos ou pretendem votar em branco ou nulo, um número que supera o percentual de votos para o primeiro colocado. Isso indica um cenário de incerteza que pode influenciar o resultado final.
A avaliação entre os políticos locais é de que a disputa entre Fagundes e Pivetta para o segundo turno é quase inevitável. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunin (PL), acredita que a eleição será decidida em dois turnos, a menos que ocorra uma anomalia eleitoral. O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) também compartilha essa visão, afirmando que a eleição deve seguir para um segundo turno, dada a quantidade de candidatos e a dinâmica atual da campanha.
A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Mato Grosso é considerada uma estratégia para fortalecer a campanha da centro-esquerda, embora a baixa expectativa de sucesso para os candidatos locais torne essa possibilidade remota. O PT, que não lançou candidaturas majoritárias, apoia Natasha, mas enfrenta desafios para mobilizar o eleitorado, especialmente considerando que Mato Grosso representa apenas 1,66% do total de eleitores do Brasil.



