O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou o encontro bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, como “a melhor conversa” que já teve com ele. O diálogo ocorreu durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, e, segundo Lula, foi marcado por uma disposição genuína de Zelenski para discutir um cessar-fogo sem condições prévias. Essa mudança de postura, segundo o brasileiro, abre portas para uma negociação de paz mais ampla.
Em uma coletiva de imprensa realizada horas após o encontro, Lula expressou sua satisfação com a nova abordagem de Zelenski. “Foi a melhor conversa que eu tive com o Zelensky, porque eu já achava, um ano atrás, que essa guerra estava na hora de acabar. Agora ele aceita a paz e está dizendo que quer um cessar-fogo sem colocar nenhum pedido extra, que é paz para poder discutir a paz. Ele quer um cessar-fogo para discutir a paz. Eu acho justo”, afirmou o presidente brasileiro.
Este foi o primeiro encontro entre Lula e Zelenski desde o G7 de Kananaskis, no Canadá, em junho de 2025. A relação entre os dois líderes passou por momentos de tensão desde 2023, quando declarações de Lula sobre o conflito foram vistas como favoráveis à Rússia. A situação se agravou em maio de 2025, quando Lula participou das comemorações do Dia da Vitória em Moscou, o que levou Zelenski a rejeitar tentativas de contato do presidente brasileiro nos meses seguintes. Em janeiro de 2025, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Zelenski chegou a afirmar que “o trem do Brasil já passou”, referindo-se a um possível papel mediador do país no conflito.
Na coletiva, Lula também mencionou um cansaço generalizado com a guerra, tanto entre os apoiadores da Ucrânia quanto entre os que apoiam Putin. “Todo mundo sabe que os torcedores da Ucrânia já estão cansados, os torcedores do Putin já estão cansados, aqueles que financiavam já estão cansados. Então todo mundo quer que pare”, disse. O presidente brasileiro atribuiu a responsabilidade de encerrar o conflito aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Rússia, China, Estados Unidos, Reino Unido e França — e não a mediadores externos como o Brasil. “Sabe quem pode fazer parar essa guerra? Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Eles são os responsáveis por garantir a paz ou a guerra entre Rússia e Ucrânia. Tem que dar um basta. E somente eles podem dar”, enfatizou.
Lula também revelou que pretende retomar conversas com os líderes dos cinco países permanentes do Conselho de Segurança da ONU, reforçando sua posição de que a paz na Ucrânia deve ser uma prioridade global. “Acredito que a comunidade internacional deve se unir para encontrar uma solução pacífica para este conflito, que já causou sofrimento a milhões de pessoas”, concluiu o presidente.



