Post: Joshua Wong é condenado a mais 10 anos de prisão em Hong Kong por conluio com potências estrangeiras

Joshua Wong, ativista de Hong Kong, é condenado a mais 10 anos de prisão por conluio com potências estrangeiras, reforçando a repressão na região.
Joshua Wong é condenado a mais 10 anos de prisão em Hong Kong por conluio com potências estrangeiras

O ativista pró-democracia de Hong Kong, Joshua Wong, foi condenado nesta quinta-feira (5) a mais dez anos de prisão por conluio com potências estrangeiras, em um julgamento que reforça as tensões entre Hong Kong e Pequim. Wong, que se destacou internacionalmente durante o movimento dos guarda-chuvas em 2014, já havia cumprido quase seis anos de prisão e deveria ser libertado em janeiro de 2027, após cumprir uma pena anterior por subversão, também relacionada à lei de segurança nacional imposta pela China. No entanto, as autoridades de Hong Kong decidiram recorrer à mesma legislação para apresentar novas acusações contra ele em junho do ano passado, alegando que Wong teria colaborado com outros países para impor sanções ao centro financeiro e à China.

A condenação de Wong ocorre em um contexto de crescente repressão a vozes dissidentes em Hong Kong. O tribunal, ao proferir a sentença, descreveu Wong e o ex-líder estudantil Nathan Law, que vive em exílio, como “dois líderes ou mentores” de uma conspiração que ameaça a segurança nacional. O juiz William Tam considerou o delito de Wong como “de natureza grave”, o que poderia ter resultado em uma pena perpétua, mas decidiu aplicar uma pena inicial de 13 anos, reduzida para dez anos devido à confissão de culpa do ativista.

A situação de Wong é emblemática do clima de medo e repressão que permeia Hong Kong desde as manifestações pró-democracia de 2019, que, embora tenham sido em sua maioria pacíficas, resultaram em confrontos violentos em alguns momentos. O diretor do Instituto da China da SOAS, Steve Tsang, comentou que Pequim identificou Wong como um dos principais líderes de uma “rebelião aberta” e que a condenação serve como um aviso a outros ativistas. A Human Rights Watch também criticou a sentença, chamando as acusações contra Wong de “falsas” e a pena de “cruel e injusta”.

A condenação de Joshua Wong, que agora só deverá ser libertado em 2036, destaca a intensificação da repressão a ativistas em Hong Kong e a determinação de Pequim em manter o controle sobre a região, minando as esperanças de um retorno a um período de maior liberdade e tolerância. O ativista, ao deixar o tribunal, acenou para seus apoiadores, que demonstraram seu apoio, alguns deles em lágrimas, reafirmando que continuarão a lutar por sua libertação. A comunidade internacional, por sua vez, é chamada a se manifestar contra as injustiças cometidas contra Wong e outros ativistas, com a expectativa de que governos estrangeiros adotem sanções direcionadas aos responsáveis pela repressão em Hong Kong.

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