Em um novo episódio de violência na Faixa de Gaza, ao menos duas pessoas, incluindo um menino de quatro anos, foram mortas e outras sete ficaram feridas durante bombardeios aéreos realizados por Israel neste domingo (23). As informações foram confirmadas por autoridades de saúde palestinas, que operam sob a supervisão do grupo Hamas.
O primeiro ataque atingiu um prédio na cidade de Zawayda, localizada na região central de Gaza. Antes do bombardeio, moradores relataram que o Exército israelense havia orientado os proprietários a evacuarem a área. O segundo ataque ocorreu no campo de refugiados de Nuseirat, conforme informado pelas autoridades locais.
Esses bombardeios foram realizados após um aviso do gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que ameaçou intensificar a ofensiva militar caso os lançamentos de balões, drones e pipas provenientes de Gaza não cessem imediatamente. Netanyahu enfrenta pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos e de países vizinhos que participaram da mediação do cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025. Turquia, Qatar e Egito acusam Israel de não cumprir com os termos do acordo, que incluía a retirada de tropas da Faixa de Gaza, onde soldados israelenses ainda mantêm presença significativa.
De acordo com a imprensa israelense, uma pipa foi derrubada no domingo e outras quatro foram encontradas em comunidades próximas à fronteira com Gaza. Embora os itens não tenham explosivos, o Exército acredita que o Hamas pode estar por trás desses lançamentos, utilizando-os como uma forma de testar a resposta de Israel. O grupo, por sua vez, nega qualquer envolvimento.
Basem Naim, uma autoridade de alto escalão do Hamas, contestou as declarações israelenses, afirmando que as pipas foram lançadas por “crianças que buscam sua infância inocente entre os escombros”. Em um comunicado, a organização acusou Israel de usar esses lançamentos como justificativa para os ataques aéreos realizados no centro de Gaza.
“Não há cessar-fogo, não há nada”, desabafou Abu Ahmed, um palestino deslocado que se encontrava próximo ao prédio que foi reduzido a escombros após os ataques. “Queremos soluções, queremos viver em paz”, completou.
Em um comunicado divulgado na noite anterior, Israel informou que havia atacado e eliminado um membro de alta patente do Hamas, identificado como Sharif Al-Hasnat, na cidade de Deir Al-Balah. Segundo o comunicado, ele liderava esforços para restaurar a infraestrutura subterrânea do grupo terrorista.
O Hamas, por sua vez, acusa Israel de violar o cessar-fogo e de prejudicar os esforços para implementar um acordo duradouro na região.



