O escritório do ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad desmentiu nesta terça-feira (14) as alegações de que ele estaria envolvido em uma operação secreta de Israel para prepará-lo como um ativo de inteligência e reconduzi-lo ao poder no Irã, após o início da guerra com Israel. A negativa foi divulgada em uma rede social vinculada ao ex-presidente, um dia após publicações do New York Times e do Haaretz que revelaram detalhes sobre essa suposta operação, atribuída a fontes anônimas de autoridades americanas, israelenses e iranianas.
De acordo com a reportagem do New York Times, o plano incluía a realização de uma conferência sobre mudanças climáticas na Hungria, que serviria como fachada para encontros secretos entre Ahmadinejad e agentes da inteligência israelense. A operação teria culminado com uma tentativa de resgate do ex-presidente após sua residência ser atingida por um ataque aéreo, episódio que, segundo o jornal, fez com que Ahmadinejad se desiludisse com o plano e deixasse o esconderijo onde estava mantido.
O comunicado do gabinete de Ahmadinejad descreveu as alegações como “alegações estilo Hollywood”, afirmando que a reportagem busca minar sua popularidade e explorar sensibilidades políticas em um momento de ameaças militares, caracterizando isso como uma forma de “guerra psicológica” contra a população.
O grau de envolvimento de Ahmadinejad na elaboração do comunicado não pôde ser confirmado, uma vez que o texto foi assinado por seu gabinete e, em alguns trechos, se referia a ele na terceira pessoa. O texto foi veiculado por um órgão de imprensa próximo ao ex-presidente.
Em resposta às negativas, a porta-voz do New York Times, Nicole Taylor, afirmou que o escritório de Ahmadinejad fez “acusações flagrantemente falsas” na tentativa de manipular a opinião pública. Ela destacou que a reportagem foi resultado do trabalho contínuo de uma equipe de repórteres experientes, os mesmos que, em maio, revelaram que Ahmadinejad havia sido escolhido pelos EUA e Israel para assumir o poder no Irã como parte de um plano de mudança de regime.
Após as publicações do New York Times e do Haaretz, a televisão estatal iraniana exibiu imagens de Ahmadinejad no funeral de Khamenei, reforçando sua presença no cenário político, mesmo em meio a essas controvérsias. A situação atual de Ahmadinejad permanece incerta, com informações contraditórias sobre seu estado, incluindo alegações de que ele estaria em prisão domiciliar sob custódia da Guarda Revolucionária, o que seu gabinete nega.



