Post: Ipos geram novos milionários e organizações filantrópicas buscam parte desse capital

IPOs de grandes empresas geram novos milionários e organizações filantrópicas buscam parte dessa riqueza, estimando doações de até US$ 100 bilhões
Ipos geram novos milionários e organizações filantrópicas buscam parte desse capital

À medida que uma série de ofertas públicas iniciais (IPOs) de grandes empresas como OpenAI e Anthropic se aproxima, uma nova geração de milionários está surgindo. Esses novos ricos não apenas mudam o cenário econômico, mas também despertam o interesse de organizações sem fins lucrativos que desejam se beneficiar dessa onda de riqueza. Estima-se que o setor filantrópico possa receber mais de US$ 100 bilhões anualmente, um montante que poderia transformar a forma como as doações são feitas e distribuídas.

Os departamentos de captação de recursos de universidades e outras instituições estão se preparando para essa bonança, elaborando listas de potenciais doadores e fazendo estimativas sobre os ganhos extraordinários que podem surgir. No entanto, nem todos estão otimistas. Nos últimos anos, uma reação contra a filantropia tem ganhado força entre alguns bilionários, que argumentam que o sucesso nos negócios é a melhor maneira de retribuir à sociedade, em vez de doações.

Apesar disso, os fundadores da OpenAI e da Anthropic têm laços fortes com a filosofia do altruísmo eficaz, que busca maximizar o impacto das doações. Isso pode influenciar outros bilionários a considerar a doação, especialmente diante da carga tributária que enfrentam ao vender suas ações altamente valorizadas. Por exemplo, ao vender US$ 10 milhões em ações, um bilionário pode ter que arcar com impostos que ultrapassam US$ 3,5 milhões.

Randy Fox, fundador da Two Hawks, uma consultoria de gestão patrimonial, ressalta que muitos detentores de ações não têm clareza sobre suas estratégias de saída. Para evitar impostos sobre ganhos de capital, uma das opções mais viáveis é a doação. Com isso, o setor sem fins lucrativos pode se beneficiar de um aporte anual significativo, estimado em mais de US$ 100 bilhões.

Nan Ransohoff, da Stripe, fez cálculos que indicam que a OpenAI Foundation, que detém 26% da OpenAI, poderia ter ativos liquidados na casa dos US$ 220 bilhões quando a empresa abrir capital. Os fundadores da Anthropic, por sua vez, prometeram doar 80% de suas fortunas, o que pode representar cerca de US$ 90 bilhões. Além disso, a Anthropic possui um programa de contrapartida que pode destinar mais US$ 60 bilhões para doações.

Esses números impressionantes indicam que entre US$ 37 bilhões e US$ 100 bilhões podem estar disponíveis para instituições de caridade anualmente. Ransohoff afirma que isso seria suficiente para financiar a Fundação Gates várias vezes, sobrando ainda recursos para outras iniciativas. Essa perspectiva não inclui os funcionários da OpenAI ou os novos milionários gerados pela SpaceX, que, segundo estimativas, criaram 4.400 milionários, além de cerca de 400 funcionários com patrimônio superior a US$ 100 milhões.

O Goldman Sachs prevê que o volume total de IPOs possa alcançar US$ 160 bilhões, tornando este ano o maior da história em termos de capital levantado. A doação de dinheiro é uma estratégia comum para reduzir impostos, e o Institute for Policy Studies estima que, em 2022, as doações resultaram em uma perda de arrecadação tributária de US$ 73 bilhões.

Na Califórnia, onde estão localizadas a OpenAI e a Anthropic, alguns novos bilionários estão buscando maneiras de reduzir seu patrimônio antes que um imposto extraordinário sobre bilionários seja aprovado. Isso cria um incentivo adicional para que considerem a doação como uma estratégia financeira. Jon Feldhammer, advogado da Baker Botts, relata que muitos clientes estão avaliando a possibilidade de deixar a Califórnia devido a esse cenário fiscal.

Entre as estratégias de doação mais comuns estão a doação de ações em vez de dinheiro, para evitar impostos sobre ganhos de capital, e a criação de fundos fiduciários que distribuem renda fixa ao doador e à instituição beneficente escolhida. Os fundos de doação orientados pelo doador têm se tornado populares entre jovens funcionários que esperam grandes ganhos com IPOs, permitindo que façam contribuições em ações com dedução fiscal e direcionem os recursos para diferentes instituições ao longo do tempo. Essa abordagem é vista como uma alternativa prática e eficiente para maximizar o impacto das doações.

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