Post: Investidores buscam segurança na renda fixa dos EUA e enfrentam prejuízos inesperados

Investidores brasileiros buscam segurança na renda fixa dos EUA, mas enfrentam prejuízos inesperados. Entenda a situação atual do mercado.
Investidores buscam segurança na renda fixa dos EUA e enfrentam prejuízos inesperados

Quando as chuvas começam, buscar abrigo parece uma escolha lógica. No entanto, imagine entrar no primeiro local que encontra para se proteger da chuva, apenas para descobrir que o risco maior era ser assaltado. Essa analogia se aplica aos investimentos, onde a tentativa de eliminar um risco pode resultar na assunção de outro, muitas vezes não considerado. Nos últimos anos, muitos brasileiros optaram por transferir seus recursos para os Estados Unidos, investindo em títulos públicos americanos de longo prazo, atraídos pela ideia de segurança que a moeda forte e os Treasuries (títulos públicos dos EUA) prometiam. Porém, os números revelam uma realidade diferente.

Analisando o cenário brasileiro, nos últimos cinco anos, o CDI rendeu aproximadamente 12,5% ao ano. O IRF-M, que acompanha títulos públicos prefixados, entregou 10,8% anuais, enquanto o IMA-B, que se relaciona aos títulos públicos indexados ao IPCA, apresentou uma rentabilidade de 8,4% ao ano. É compreensível que alguns investidores estejam insatisfeitos com os resultados recentes desses investimentos.

Entretanto, ao expandir a análise para um período de dez anos, a situação muda. O CDI rendeu 9,3% ao ano, o IRF-M alcançou 9,8%, e o IMA-B, 9,6% anuais. O recente desempenho negativo dos títulos mais longos e prefixados não é um fenômeno exclusivo do Brasil.

Nos Estados Unidos, a situação foi ainda mais crítica. Nos últimos cinco anos, Treasuries com vencimentos de dez anos tiveram uma perda média de cerca de 1,7% ao ano em dólares. Para títulos com vencimentos superiores a 20 anos, a desvalorização foi impressionante, chegando a 8% ao ano. Considerando que o dólar também recuou 1,2% ao ano em relação ao real nesse mesmo período, os retornos para os brasileiros foram de aproximadamente -2,9% e -9,1% ao ano, respectivamente.

Ao olhar para um horizonte de dez anos, o câmbio favoreceu um pouco mais os investidores. O dólar valorizou 4,7% ao ano. Mesmo assim, um Treasury de dez anos ofereceu cerca de 5% ao ano em reais, enquanto os títulos com vencimento acima de 20 anos entregaram apenas 2,1% ao ano. Essa comparação é alarmante quando se considera a rentabilidade dos índices de renda fixa brasileiros.

Muitos investidores adquiriram Treasuries longos nos últimos anos com a expectativa de que, após a alta das taxas de juros nos EUA, haveria uma valorização dos títulos junto com os cupons. No entanto, acertar a direção da taxa básica não é suficiente. Mesmo após o Federal Reserve iniciar cortes, os juros longos voltaram a subir. Em setembro, os Treasuries com vencimento superior a 20 anos desvalorizaram mais de 1,5%. Aqueles que alongaram os prazos na expectativa de queda das taxas enfrentaram nova desvalorização devido à marcação a mercado.

Esse fenômeno ocorre porque a taxa de um Treasury de longo prazo não depende apenas das decisões do Fed. Expectativas de inflação, a situação fiscal e o volume de dívida emitida também impactam esses juros. Além disso, quanto maior o prazo, maior a sensibilidade do preço às taxas. Portanto, um baixo risco de crédito não implica em um baixo risco de mercado.

Diversificar internacionalmente ainda é uma estratégia válida, mas é crucial não confundir diversificação com proteção. Um Treasury pode ser considerado um dos ativos com menor risco de crédito globalmente, mas ainda assim pode representar um investimento arriscado quando seu prazo é longo.

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