Os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos, que somam impressionantes US$ 10 trilhões (cerca de R$ 50,73 trilhões), estão enfrentando sérios desafios. Atrasos em projetos, dívidas crescentes e uma reação negativa da população estão levando a uma reavaliação do setor, que já se vê sob a sombra de uma possível “bolha”. De acordo com dados da RegLayer, pelo menos 47 grandes empreendimentos foram adiados ou paralisados em 2026, uma situação que tem gerado preocupações entre investidores e analistas. A corrida por capacidade computacional, que começou há alguns anos, transformou o mercado em um verdadeiro “Velho Oeste”, onde o dinheiro flui rapidamente para novas startups, muitas vezes sem a devida diligência. Laboratórios de IA como Anthropic e OpenAI têm aceitado custos mais altos para acelerar seus projetos, mas agora estão enfrentando a dura realidade de um mercado cada vez mais incerto. Recentemente, analistas da Bernstein estimaram que apenas 35% dos projetos de data centers planejados nos EUA são viáveis. Em um cenário onde mais de 1.000 comunidades tentaram bloquear ou restringir esses empreendimentos, a pressão sobre as empresas do setor só aumenta. Além disso, a deterioração do mercado de títulos públicos e o aumento das taxas de juros estão ameaçando a expansão da infraestrutura de IA. Os investidores começaram a recalcular os riscos associados ao setor, resultando em quedas significativas nas ações de empresas como a CoreWeave, que viu suas ações desvalorizar quase 25% em uma semana. O aumento dos custos de financiamento e da inflação levanta dúvidas sobre a capacidade dos laboratórios de IA de cobrir suas despesas. Com a decisão da OpenAI de adiar sua oferta pública inicial (IPO), a confiança no mercado foi ainda mais abalada. A incerteza em torno dos prazos de entrega também pode levar locatários, como grandes empresas de tecnologia, a acionar cláusulas que lhes permitem desistir de contratos caso os projetos não sejam concluídos a tempo. Os atrasos têm afetado até mesmo projetos de grande visibilidade, como as instalações da Oracle para a iniciativa Stargate da OpenAI. Ex-mineradoras de criptomoedas, como TeraWulf e Cipher, também estão renegociando contratos e estendendo prazos de entrega devido a mudanças feitas pelos laboratórios de IA. Essas alterações podem ter um custo elevado. A Cipher, por exemplo, concordou em arcar com os primeiros US$ 359 milhões em estouros de custos ao modificar seu contrato com a Fluidstack. Esse ajuste exigiu um capital adicional de aproximadamente US$ 750 milhões, financiado em parte por meio de títulos conversíveis. A Anthropic, por sua vez, pode desistir de um acordo de US$ 45 bilhões com a Nscale se esta não cumprir os prazos de entrega de um projeto na Virgínia Ocidental. A Nscale, que pretende abrir o capital com uma avaliação de US$ 35 bilhões, enfrenta dificuldades devido às condições voláteis do mercado. O volume de investimentos em infraestrutura de IA é inédito e deve ultrapassar US$ 10 trilhões entre 2025 e 2032, o que representa cerca de 3,6% do PIB dos EUA anualmente. No entanto, a confiança dos investidores está sendo testada, especialmente após protestos contra a instalação de data centers em várias localidades. A CoreWeave, que começou como uma pequena mineradora de criptomoedas, está entre as empresas que buscam capital para expandir suas operações, mas enfrenta um cenário desafiador. O futuro da infraestrutura de IA nos EUA depende não apenas da capacidade de financiamento das empresas, mas também da aceitação pública e da viabilidade dos projetos em um ambiente econômico cada vez mais exigente.




