Imagine um investidor que decide aplicar R$ 20 mil em uma ação cotada a R$ 100. Após alguns meses, uma crise faz o preço despencar para R$ 60. Assustado com a perda de 40%, ele vende tudo e recupera apenas R$ 12 mil. Algum tempo depois, a ação se recupera e chega a R$ 120. Enquanto quem manteve o investimento desde o início ganhou 20%, nosso investidor perdeu 40%. Quando analisamos gráficos históricos da Bolsa, as quedas parecem suportáveis. Sabemos que, após as crises, muitas ações se recuperam. É fácil acreditar que teríamos suportado a volatilidade, mas, na prática, o medo prevalece quando estamos dentro da montanha-russa, sem saber até onde a queda vai ou quando ela terminará. É importante notar que nem toda ação se recupera. Portanto, suportar a volatilidade não significa manter um investimento indefinidamente, mas sim distinguir uma oscilação de preços de uma deterioração nos fundamentos da empresa. Essa experiência revela uma distinção crucial: o retorno de um investimento não é necessariamente o mesmo que o retorno obtido por quem investe nele. O primeiro mede a valorização do ativo ao longo de um período, enquanto o segundo depende das decisões de compra e venda do investidor. Essa diferença é frequentemente chamada de “behavior gap” e é documentada em estudos da Morningstar, que comparam a rentabilidade dos fundos com a efetivamente capturada pelos investidores, levando em conta suas aplicações e resgates. Um levantamento da gestora brasileira Guepardo, com dados de investidores de plataformas durante três anos até junho de 2022, revelou um resultado surpreendente: entre aqueles que resgataram seus investimentos, 80% permaneceram aplicados por menos de um ano. Metade dos investidores que realizaram resgates saiu com prejuízo, e apenas 12% deles conseguiram uma rentabilidade anualizada superior à do próprio fundo, mesmo com um histórico positivo de desempenho. Esse caso ilustra como o momento das aplicações e resgates pode comprometer os resultados. Parte dessa diferença decorre de necessidades legítimas de movimentar o patrimônio. Entretanto, outra parte está relacionada à maneira como nossas emoções influenciam as decisões financeiras. O primeiro problema costuma surgir antes mesmo da compra. Após uma sequência de altas, o investidor pode acreditar que o bom desempenho continuará. Esse fenômeno é conhecido como viés de recência, onde atribuímos importância excessiva aos acontecimentos mais próximos e projetamos sua continuidade. Por exemplo, você pode sentir esse efeito com as ações americanas atualmente. O comportamento de manada intensifica esse movimento. Notícias sobre grandes valorizações, recomendações de influenciadores e relatos de conhecidos que ganharam dinheiro despertam o medo de ficar de fora, conhecido como FOMO (Fear of Missing Out). O investidor acaba comprando não necessariamente por ter encontrado uma oportunidade, mas por temer perder uma valorização que todos parecem estar aproveitando. O segundo problema aparece durante o investimento: o excesso de confiança. Após algumas operações bem-sucedidas, o investidor pode acreditar que desenvolveu uma habilidade especial para antecipar os movimentos do mercado, atribuindo seus acertos à própria capacidade e subestimando a influência da sorte. Essa confiança frequentemente leva a decisões precipitadas, que podem resultar em perdas significativas. Portanto, é essencial que os investidores estejam cientes das armadilhas emocionais que podem comprometer seus resultados. A educação financeira e a consciência emocional são ferramentas valiosas para evitar que a volatilidade do mercado interfira nas decisões de investimento e, assim, maximizar as chances de sucesso a longo prazo.



