Uma operação da Interpol em Essuatíni, na África, revelou a existência de uma delegacia falsa da Polícia Federal brasileira, utilizada para extorsão e fraudes digitais. A ação, que contou com o apoio da PF, resultou na prisão de 82 suspeitos e na apreensão de centenas de dispositivos eletrônicos que estavam sendo usados para aplicar golpes em brasileiros e africanos. Os criminosos montaram uma réplica extremamente realista de uma delegacia, equipada com uniformes, sinalização e equipamentos falsos. A estratégia deles incluía realizar videochamadas onde se passavam por agentes ou delegados da Polícia Federal, convencendo as vítimas de que haviam sido vítimas de crimes. Durante essas conversas, eles induziam as pessoas a transferirem dinheiro para uma suposta “guarda segura”, que na verdade era a conta dos golpistas. Esse tipo de golpe, que pode ser descrito como engenharia social, utiliza manipulação psicológica para explorar a confiança, o medo ou a urgência das vítimas. Em vez de invadir sistemas com vírus, os criminosos enganam as pessoas, fingindo ser autoridades ou conhecidos para obter dados sigilosos ou solicitar dinheiro. Essa prática é uma adaptação moderna do conhecido “golpe do vigário”. A operação, denominada First Light 2026, foi uma das maiores já realizadas, envolvendo 97 países e resultando na prisão de 5.811 pessoas, além da recuperação de aproximadamente 293 milhões de dólares em bens e dinheiro ilegal. As investigações se concentraram em crimes digitais, lavagem de dinheiro e redes de jogos de azar online que operavam de forma transnacional. As ações da Interpol não se limitaram a Essuatíni. Em outros países, como Tailândia, Singapura e Omã, as autoridades também conseguiram desmantelar operações criminosas significativas. Na Tailândia, um jovem de 20 anos foi preso após movimentar mais de 122 milhões de dólares em criptomoedas em apenas 10 meses. Em Singapura e Omã, foram bloqueadas transferências de 6,6 milhões de dólares antes que chegassem aos fraudadores, utilizando sistemas de bloqueio rápido de pagamentos. A Interpol alerta que esses golpes não são mais casos isolados, mas operações de organizações criminosas sofisticadas. Além do impacto financeiro, há um fator humano significativo: cerca de 10% dos casos de tráfico de pessoas no mundo estão relacionados a situações em que as vítimas são enganadas e levadas a outros países para trabalhar em centros de golpes digitais. A operação First Light 2026 destaca a crescente necessidade de colaboração internacional no combate a crimes cibernéticos e a importância de estar atento a possíveis fraudes. Para mais informações sobre o tema, acesse a reportagem completa.




