A inflação nos Estados Unidos acelerou em abril, registrando seu maior aumento em três anos, impulsionada principalmente pelos preços elevados da energia em meio ao conflito no Irã. O índice de preços PCE (Personal Consumption Expenditures) subiu 3,8% nos últimos 12 meses, o maior aumento desde maio de 2023, conforme divulgado pelo Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio. Este índice, que serve como referência para o Federal Reserve, estava em 3,5% em março.
Em abril, o índice subiu 0,4% em relação ao mês anterior, após um aumento de 0,7% em março. A guerra no Irã teve um impacto significativo, interrompendo o transporte marítimo no estreito de Hormuz, o que elevou os preços da energia e sobrecarregou as cadeias de suprimento globais, resultando em escassez de diversos produtos, como fertilizantes e alumínio.
O preço médio da gasolina no varejo aumentou 12,3% em abril, com uma alta superior a 50% desde o início do conflito, no final de fevereiro. Além disso, os consumidores enfrentam um aumento nos preços de outros bens e serviços, que já estavam elevados antes da guerra, em parte devido às tarifas de importação implementadas pelo ex-presidente Donald Trump.
Com a inflação em ascensão, a insatisfação dos americanos com a gestão econômica de Trump cresce. Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos revelou que o índice de aprovação do ex-presidente caiu para níveis próximos ao mais baixo desde seu retorno à Casa Branca, refletindo uma diminuição no apoio entre os republicanos. Essa situação é preocupante, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando, onde a alta dos preços pode impactar negativamente o Partido Republicano.
Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o PCE teve um aumento de 3,3% em abril em relação ao ano anterior, ligeiramente acima dos 3,2% registrados em março. O núcleo da inflação subiu 0,2% na comparação mensal, após um avanço de 0,3% no mês anterior. O Federal Reserve monitora de perto o PCE, que tem uma meta de 2% para a inflação. Os mercados financeiros esperam que a taxa de juros de referência permaneça entre 3,5% e 3,75% até 2027.



