No universo do fisiculturismo, a execução das poses é tão crucial quanto o treinamento físico. Os atletas precisam não apenas de um corpo bem definido, mas também da habilidade de apresentar suas conquistas de forma convincente. Em competições, a avaliação é baseada em critérios como volume, definição, simetria e proporções. Contudo, todo o esforço pode ser em vão se o competidor não souber como utilizar as poses a seu favor. Marcus “Blanck” Fernandes, um fisiculturista premiado e músico, ressalta que “uma pose boa esconde seus defeitos e ressalta seus pontos fortes. O fisiculturismo é um jogo de ilusão”. Ele, que já foi reconhecido como o melhor posador em campeonatos, critica a falta de preparação de muitos colegas que treinam poses apenas nas semanas que antecedem as competições. “A maioria treina poses só a partir de um mês antes da competição. O ideal é treinar o ano todo, para que isso se torne natural”, afirma. Blanck explica que uma pose bem executada pode fazer com que o competidor pareça maior do que realmente é. “Muitas pessoas me veem pessoalmente e falam que eu pareço muito maior em cima do palco”, diz. Para ele, a chave para ativar a musculatura durante a apresentação é lembrar da sensação da contração muscular. “O segredo é memorizar a sensação que você sente ao contrair um músculo. O atleta precisa se conhecer”, enfatiza. Além disso, ele acredita que poses bem encaixadas podem ser decisivas em uma competição. “Nunca fui o maior atleta do palco, mas ganho nos detalhes. Às vezes, atletas muito grandes têm dificuldades na hora de posar devido à falta de mobilidade”, explica. O fisiculturista também destaca a importância de escolher as poses que melhor se adaptam ao seu físico, o que requer muito treino. “Antes do meu primeiro campeonato, treinei poses por 20 semanas”, revela. Natural do Rio de Janeiro, Blanck começou a competir em 2014 e já enfrentou grandes nomes do fisiculturismo nacional, como Vitor Porto e Wellington Nescau. Ele também se destacou em palcos internacionais, incluindo o Arnold Classic Ohio, e acumula três títulos em sua carreira. Com uma formação musical, Blanck acredita que suas raízes no meio artístico o ajudaram a se destacar no fisiculturismo. “Estar em cima de um palco nunca me assustou. A familiaridade com o ato de ensaiar me ajudou muito na competição. Mesmo sendo tímido, aprendi a chamar a atenção para mim”, conta. Ele lembra que, ao assistir competições, o que mais o atraía eram as coreografias dos atletas. “A apresentação é uma parte vital do fisiculturismo. O atleta não deve apenas mostrar seu corpo, mas também contar uma história através das poses”, conclui.



