Post: O impacto econômico da violência no Brasil: um custo oculto de R$ 1,3 trilhão

A violência no Brasil gera um custo oculto de R$ 1,3 trilhão, impactando a economia e a segurança pública. Entenda as consequências.
O impacto econômico da violência no Brasil: um custo oculto de R$ 1,3 trilhão

O crime organizado e as facções criminosas no Brasil geram um custo econômico alarmante, estimado em até R$ 1,3 trilhão por ano, o que representa cerca de 10,24% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para 2025, que foi de R$ 12,7 trilhões. Essa quantia exorbitante funciona como um “imposto oculto” que afeta praticamente todas as atividades econômicas do país, um tema frequentemente negligenciado durante os debates eleitorais, que se concentram mais em cortes de gastos e arrecadação.

A análise, realizada pelo Instituto Igarapé, revela que o custo da violência não se limita a perdas diretas, mas se estende a uma série de atividades criminosas, como assaltos, tráfico de drogas, corrupção e contrabando. Cada uma dessas atividades contribui para um cenário de insegurança que impacta a economia de maneira profunda e abrangente.

O Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que cada morte violenta gera um custo médio de R$ 1 milhão aos cofres públicos. Mesmo com a redução dos índices de homicídios, isso representa um custo anual de R$ 46 bilhões apenas com homicídios.

Os gastos com segurança pública também são significativos. Em 2023, os governos federal, estaduais e municipais desembolsaram R$ 124,8 bilhões, sendo que os estados foram responsáveis por mais de R$ 101 bilhões desse total. O Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 41 milhões em internações por ferimentos causados por armas de fogo, sem contar os custos adicionais de atendimentos ambulatoriais e reabilitação.

A violência armada, segundo o Instituto Sou da Paz, gerou um custo de R$ 556 milhões em recursos federais destinados à saúde pública nos últimos dez anos. Em 2024, o SUS totalizou R$ 42,3 milhões com tratamento de vítimas de armas de fogo, com um custo médio por internação de R$ 2.680, 159% maior do que o gasto médio com outros atendimentos de saúde.

O setor de turismo também sente os efeitos da violência. No Rio de Janeiro, a sensação de insegurança resultou em uma perda de R$ 3,3 bilhões em arrecadação turística em 2023. O setor de logística é outro exemplo claro de como o crime atua como uma sobretaxa oculta, com 10.478 roubos de carga registrados em 2024, resultando em perdas estimadas em R$ 1,2 bilhão. Quando se somam os custos de roubos e fraudes relacionadas ao combustível, as perdas anuais chegam a R$ 29 bilhões.

Celeste Leite dos Santos, promotora do Ministério Público de São Paulo, destaca que a violência e o crime organizado não devem ser vistos apenas como tragédias humanas, mas como fatores estruturais que corroem a economia e as instituições. Ela enfatiza que a criminalidade gera custos diretos e indiretos que afetam a arrecadação tributária, a saúde pública, o turismo e a confiança social.

A promotora alerta que o custo da violência no Brasil não se limita aos delitos em si, mas abrange um espectro amplo de consequências. Organismos internacionais, como a ONU e o Banco Mundial, reconhecem esse fenômeno como um obstáculo ao desenvolvimento nacional. Para enfrentar essa realidade, é necessário que a resposta do Estado seja integrada e fundamentada em evidências, combinando inteligência criminal, prevenção, repressão qualificada e proteção das vítimas.

A segurança pública eficaz, segundo Celeste, não se resume à punição, mas demanda uma abordagem rigorosa e coordenada entre instituições, além do fortalecimento das redes de proteção e assistência. A complexidade do problema exige uma resposta que vá além do imediato, buscando soluções duradouras e eficazes para um Brasil mais seguro.

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